A greve dos servidores públicos municipais de Londrina entra na terceira semana com a expectativa de ampliar o atendimento à comunidade. Não que isso signifique a reabertura de unidades básicas de saúde (UBSs) e de pronto-atendimentos, ou mesmo a retomada das aulas nas escolas da rede. Nos próximos dias, os grevistas prometem intensificar a divulgação da campanha de reposição salarial junto à população.
As atividades começaram sábado, no Calçadão da Avenida Paraná (Centro), com cerca de 300 medições de pressão arterial e panfletagem. A iniciativa foi repetida durante toda a manhã de ontem na feira livre da Avenida Saul Elkind (Zona Norte) e deve seguir esta semana de novo no Calçadão e em mercados municipais. Hoje, os servidores se reúnem novamente em assembléia na Praça dos Três Poderes, em frente à Prefeitura, para que os diretores do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, falem sobre a primeira rodada de negociações ocorrida sexta passada com membros da administração municipal.
''Amanhã (hoje) protocolaremos uma proposta de abono emergencial diferente da que fizemos na reunião de sexta'', disse o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja. Ele se refere ao pedido de abono emergencial de R$ 140 ao mês, em 12 parcelas, recusado pela Prefeitura. Dessa vez, porém, ''vamos pedir não 13, mas seis parcelas. Se em setembro o prefeito vir que não se confirmou a receita, como tem dito para justificar o impasse, nós devolvemos esse abono pago para que ele não fira a Lei de Responsabilidade Fiscal depois'', declarou o sindicalista, conforme o qual a medida representaria um impacto R$ 700 mil mensais à folha de pagamento da Prefeitura. Para amanhã, está prevista outra passeata por ruas da região central, a exemplo da realizada na quinta-feira passada.
Sexta-feira, após quase cinco horas de reunião, o Executivo descartou o abono com a alegação de que ele impactaria R$ 10 milhões nas contas anuais do Município. Uma segunda rodada acontece quarta-feira, às 10 horas.
Coordenadora das medições de pressão arterial em locais públicos, a diretora de secretaria geral do Sindicato, Dalvina de Jesus, declarou ontem que o trabalho de conscientização feito sob forte calor vale a pena, especialmente no que diz respeito à disposição dos grevistas. ''Queremos trabalhar, sim, mas com respeito. Nem tudo o que dizem à opinião pública é o que de fato acontece'', reclamou. Em anúncio publicado na edição de ontem da Folha, a Prefeitura condicionou o prosseguimento das negociações à ''volta imediata ao trabalho e à normalização do atendimento à população''. A carta, em tom de apelo, foi dirigida especialmente aos que trabalham ''na saúde, educação e assistência social''.

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