Brasília - Num evento em que pretende destacar a figura da mulher, o PT oficializa hoje em convenção nacional o nome de Dilma Rousseff, 62, como candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos 30 anos de história do partido, será a primeira disputa presidencial sem o nome ''Lula'' na urna, a maior aliança nacional e, em consequência disso, o menor número de candidatos próprios aos governos estaduais.
Mais de nove anos depois de abandonar o PDT e se filiar ao PT, Dilma chegou à atual posição por meio de um ''dedazo'' de Lula - impedido pela legislação de disputar um novo mandato consecutivo -, que a escolheu após ela ter assumido a Casa Civil em meio ao escândalo do mensalão, em 2005.
Sem discussão
Sem muita discussão, o PT aceitou a candidata e hoje trata sua eleição como a prioridade da atual campanha. Tanto é que o partido só deve ter 11 candidatos a governador (a média das eleições anteriores de que participou era de 20 nomes próprios), fenômeno que tem como objetivo abrir espaço para aliados como PMDB, PSB e PDT. A coligação deve contar ainda com PR, PC do B e PRB.
A convenção de hoje terá sua produção a cargo do marqueteiro João Santana, o mesmo de Lula, e, segundo dirigentes do PT, dará ênfase à importância da mulher. Por dois motivos: o primeiro, óbvio, porque espera eleger a primeira presidente do país. O segundo é que Dilma tem 42% das intenções de voto entre os homens, mas só 33% entre as mulheres, na última pesquisa Datafolha.
''Esse partido teve a sensibilidade que possibilitou uma maior participação das mulheres no cenário político do país. (...) Vamos fazer história, junto com os aliados, e elegeremos a primeira mulher presidente'', discursou na sexta-feira, a uma plateia de mulheres, o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Só Mulheres
A ideia é iniciar o evento com atrações que, em cerca de meia hora, priorizarão artistas femininas. A apresentação deve contar com um grupo de samba de raiz formado somente por mulheres, além da presença de artistas como a atriz Zezé Motta e a cantora Alcione. O PT não divulgou o gasto na produção do encontro, que será realizado no Unique Palace, no Lago Sul, região nobre de Brasília. Os organizadores esperam reunir entre 1,5 mil e 2 mil pessoas.
Além da fala de Dilma e Dutra, estão confirmados os discursos do presidente Lula e do presidente do PMDB e indicado a vice na chapa, Michel Temer. As falas de outros presidentes dos partidos que formarão a aliança também podem ser liberadas. Dilma será oficializada como candidata em uma condição de empate nas pesquisas com o seu principal adversário, José Serra (PSDB), e em meio aos desdobramentos de suspeitas de que integrantes de sua equipe tenham encomendado dossiês contra tucanos.

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