Curitiba - Teve início ontem e será realizada até sexta-feira a Semana Nacional de Conciliação, que tem o objetivo de tornar mais comuns os acordos judiciais em todo o Brasil. O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, prevê que o número de processos encerrados por meio dos mutirões da Justiça realizados neste ano supere o de 2008, quando 1 milhão de acordos foram fechados, no valor total de R$ 1 bilhão.
Em Curitiba, um mutirão de conciliação está sendo feito no Centro Cívico, em frente ao Palácio Iguaçu. Ao todo, 3 mil audiências devem ser promovidas no local. O evento é coordenado pelas justiças Estadual, Federal e do Trabalho, com apoio de órgãos públicos e privados.
Segundo Márcio Dionísio Gapski, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho e membro da comissão organizadora da semana, a intensificação das audiências está sendo feita também nas varas, com o apoio de servidores e desembargadores aposentados, acadêmicos de Direito e conciliadores (que fizeram cursos de capacitação).
''O objetivo maior é mudar a mentalidade do brasileiro. Os índices de conciliação no Brasil não passam dos 40%. Nos países desenvolvidos, chegam a 70%, 80%. O segundo objetivo é diminuir o número de processos'', afirmou Gapski. ''Existem 220 mil processos pendentes apenas na Justiça do Trabalho do Paraná. Destes, 92 mil estão em impossibilidade de execução. A pessoa precisa entender que pode estar nesta situação, de ingressar com uma ação e, se não fizer um acordo, pode ficar sem ver resultado algum'', disse o desembargador.
As advogadas Jaqueline Todesco Barbosa de Amorim e Dionei Schenfeld estiveram no mutirão em lados opostos: a primeira, representando uma empresa, e a outra, em nome de um ex-funcionário, em uma ação relativa a horas-extras e danos morais. Segundo elas, o processo tramitava desde 2003. Ontem, foi feito um acordo.
''O mutirão estimula a conciliação, traz as pessoas para conversar. Se o processo está parado, movimenta'', elogiou Jaqueline. Dionei também viu vantagens no mutirão. ''Em média, a espera está em três, quatro anos. Economizamos tempo.''

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