Curitiba - Um dos partidos aliados do governo do Estado, o PTB vai ganhar a secretaria de Estado de Indústria e Comércio. A costura política teria como meta alavancar uma possível aliança para a reeleição do governador Roberto Requião (PMDB). O atual secretário, Luis Mussi, pediu pessoalmente a demissão ao governador e irá coordenar a campanha para a reeleição a partir de julho. ''Sou um empresário de comunicação e não combino muito com cargos executivos. O melhor mesmo é deixar o cargo e cuidar dos meus próprios negócios e da campanha de reeleição do governador, que contará com muito mais gente'', explicou ontem Mussi.
Em entrevista à Folha ontem, Requião confirmou a saída de Mussi. ''Ele vai cuidar do Canal 21'', disse. Luis Mussi é proprietário do Canal 21, que retransmite a TV Gazeta de São Paulo e tem pouca programação local. Ele também conseguiu a concessão para uma nova emissora de rádio em Curitiba, que promete colocar no ar ainda este ano. ''Minhas empresas começaram a ficar deficitárias porque tive que ficar longe delas por dois anos. Vou mudar esse quadro'', prometeu Mussi.
Mussi não sabe por quanto tempo ainda ficará no cargo. Requião prefere não adiantar nada à imprensa. O certo é que não deixará a secretaria esta semana. Isto porque o vice-presidente nacional do PTB, Flávio Martinez, está em viagem aos Estados Unidos e retorna apenas no domingo. O nome dele é o mais cotado para assumir a pasta, no lugar de Mussi. Martinez atendeu ontem a reportagem da Folha e alegou estar sendo pêgo de surpresa. ''Não posso adiantar nada, até porque estou numa feira de comunicação nos Estados Unidos e não sei nada sobre as mudanças no secretariado. A verdade é que o governador tem nos tratado muito bem'', disse ele.
O PTB ainda não tem nenhuma secretaria no governo Requião. Além do nome de Martinez, outro tem surgido nas discussões palacianas: o do empresário Francisco Simeão, proprietário da empresa de pneus BS Colway. Ontem, a Folha recebeu um e-mail do delegado regional do trabalho, Geraldo Serathiuk, que também teria seu nome cotado para assumir a pasta de Indústria e Comércio. ''Devemos ter consciência que vivemos em um Estado em que os níveis de desemprego, informalidade, acidente de trabalho e de trabalho infantil continuam altos, fruto daquele modelo de desenvolvimento autoritário. E qualquer que seja o secretário que assumir deve levar em conta que precisamos fazer uma reengenharia das políticas de créditos, fiscais e de qualificação, pois atualmente as mesmas não têm sido suficientes ou estão mal direcionadas para atender a população de baixa renda e de baixa qualificação para incluí-la em padrões mínimos de dignidade'', afirmou Serathiuk.

mockup