Murta pede ajuda do BC para localizar contas no exterior
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quinta-feira, 13 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
A equipe de auditores do Banestado já tinha conhecimento das contas mantidas pelos funcionários do banco, José Edson Carneiro de Souza e Luiz Antonio Eugênio de Lima, em uma agência do Citibank nos Estados Unidos. Desde outubro do ano passado, o banco vinha investigando as contas numeradas P6-120.MPS e P5-120.MPE. Uma equipe de investigadores vinha tentando obter provas para embasar um pedido de quebra de sigilo bancário das duas contas.
O presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, tinha conhecimento da investigação e encaminhou ontem um ofício ao Banco Central pedindo ajuda para localizar as duas contas no exterior. A informação de que Souza e Lima mantêm contas bancárias não fazem parte da denúncia anônima encaminhada ao senador Roberto Requião (PMDB), relator da CPI dos Títulos Públicos. O dossiê serve de base para o pedido de uma CPI na Assembléia Legislativa, mas não é reconhecido pelo governo e nem serve de prova contra os dois funcionários do Banestado.
Segundo o dossiê apócrifo, o saldo das contas de Lima é de US$ 1,698 milhão e de Souza, US$ 1,522 milhão. Como gerentes de área do Banestado, o salário dos dois é de aproximadamente R$ 4 mil mensais. Souza tem sociedade na loja de comida chinesa Mei Mei, no shopping Curitiba, e ocupava a gerência do Departamento de Operações da Banestado Leasing, função da qual foi afastado.
Luiz Antonio de Lima, que ocupava a Gerência de Desenvolvimento de Negócios da Banestado Leasing, estava há seis meses na Gerência de Administração de Risco do Banestado. Lima também está afastado do cargo. Murta Ramalho disse ontem que os dois funcionários foram afastados das funções de gerência na semana passada. Em seguida, retificou a data dizendo que o afastamento ocorreu na última terça-feira. Disse ainda que esse afastamento de função é procedimento normal sempre que algum funcionário está sob investigação de auditoria ou sindicância.
Assim que circularam denúncias, o governador Jaime Lerner determinou imediata apuração dos fatos. Se ficar comprovado qualquer deslize, essas pessoas responderão pelos atos praticados, afirmou.


