Municípios terão que reduzir serviços
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domingo, 16 de novembro de 1997
Patrícia Zanin 
Londrina
Arquivo FolhaEfeitosJosé do Carmo Garcia: O contribuinte irá notar a ausência de alguns serviços, será inevitávelA Associação dos Municípios do Paraná (AMP) prevê uma retração imediata na prestação de serviços das prefeituras à comunidade como consequência do pacote de ajuste fiscal anunciado pelo governo. Para o presidente da AMP, José do Carmo Garcia (PTB), os municípios também terão que tomar esse remédio amargo.
O contribuinte irá notar a ausência de alguns serviços. Será inevitável, anuncia. Ele explica que isso irá ocorrer porque os municípios terão dificuldade para reorganizar a administração financeira, principalmente aqueles que usavam a Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) para suprir a ausência de dinheiro em caixa. Como a operação foi limitada pelo pacote fiscal, o presidente da AMP diz que as prefeituras terão que dispor de outra estratégia - a de enxugar ainda mais os seus programas. Mas não há dúvidas de que o pacote de ajuste fiscal irá forçar os prefeitos a adotarem um processo de reestruturação e redobrarem o bom senso no trato da coisa pública. Isso para que as medidas econômicas não se transformem em mais um alvo fácil de repetição e choro quando o assunto é corte, redução na arrecadação e sacrifício fiscal.
Para muitos prefeitos, a reclamação já vem acompanhada de um projeto de planejamento e de reforma administrativa. Muitos municípios estão revendo seus papéis. A AMP defende que essa revisão seja também levada para as esferas estadual e federal. A entidade quer ter clareza das reais atribuições de cada instância do poder e acredita que o pacote pode até acelerar o processo.
Para ele, se há algo que pode ser considerado positivo no pacote de 51 medidas anunciadas pelo governo federal, um deles é a possibilidade de aumento da cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), índice que ainda não pôde ser quantificado. Para o IPI, o aumento foi de 5% na alíquota de carros e bebidas com previsão de arrecadar R$ 800 milhões a mais. Já o adicional de 10% no IR da Pessoa Física, a partir de 1º de janeiro, faria o governo engordar suas contas em R$ 1,2 bilhão, aumento válido por dois anos. Mas o Congresso Nacional já sinalizou que não está muito disposto a aprovar o adicional do imposto, o que pode obrigar o governo a refazer os cálculos iniciais divulgados na segunda-feira passada - garantir R$ 20 bilhões com o pacote.
Na opinião de José do Carmo, a saída para o governo reduzir o déficit seria a aprovação da reforma administrativa, acompanhada da reorganização do Estado brasileiro. E para minimizar os efeitos da crise, nessa altura do campeonato, os municípios poderiam muito bem ser excluídos da prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal. O FEF retira 12,4% ao mês na cota do FPM.


