Municípios receberão ISS do pedágio
Leandro Donatti
De Curitiba
Cerca de 60 câmaras municipais do Paraná precisam aprovar a toque de caixa e em convocações extraordinárias, até 31 de dezembro, leis específicas se quiserem cobrar em 2000 o Imposto Sobre Serviços (ISS) das concessionárias que exploram o pedágio. O presidente Fernando Henrique sancionou ontem a lei que institui a cobrança do imposto às concessionárias de todo o Brasil. Os prefeitos têm até o final deste ano para regulamentarem a matéria, que é de natureza tributária e precisa ser analisada no ano anterior ao exercício financeiro para entrar em vigor. A alíquota máxima do ISS do pedágio não poderá exceder 5%. E o recolhimento de cada um dos cerca de 60 municípios do Paraná varia de acordo com a extensão do trecho pedagiado. A extensão do Anel de Integração é de 2 mil km. O diretor regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, Washington Lemos, estima uma arrecadação tributária extra, para os municípios, de R$ 675 mil ao ano. As seis concessionárias arrecadam R$ 13,5 milhões. Basta descontar 5%, levando-se em conta que todas as câmaras devem optar pela alíquota máxima, contabilizou Lemos.
O presidente da Associação afirmou que as concessionárias não querem ficar no prejuízo, com a medida. Segundo ele, a cobrança do ISS não constava na planilha de preços que definiu as tarifas do pedágio no Paraná. Por isso temos dois caminhos: ou se aumenta o valor do pedágio ou se revê alguns encargos contratuais. Lemos acha difícil aumentar o valor das alíquotas, até por que há uma orientação do governo federal proibindo qualquer tipo de reajuste. Agora, rever os encargos é uma coisa meio que natural, avaliou.
O diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Paulinho Dalmaz, confirmou que a cobrança do ISS não estava provisionada. Ele não acredita que haverá tempo para as câmaras regulamentarem a matéria. Paulinho Dalmaz deu razão às concessionárias e disse que se a cobrança for instituída pelas prefeituras, as obrigações das concessionárias terão de ser revistas. A partir de janeiro, vamos (o governo estadual) entrar nessas discussões, adiantou Dalmaz.
Autor do projeto que impõe o ISS às concessionárias, o deputado federal Max Rosenmann (PSDB) vem alertando as prefeituras da necessidade da regulamentação desde a semana passada. Na quarta-feira, depois de a matéria ter sido aprovada pelos deputados, em Brasília, o gabinete de Rosenmann passou a distribuir ofícios dando a boa nova para os prefeitos. A Associação dos Municípios do Paraná (AMP), com sede em Curitiba, também esclarecia a dúvida de algumas prefeituras ontem à tarde. No entendimento da AMP, a lei federal dita apenas as regras gerais, razão pela qual se torna obrigatória a aprovação de uma lei específica municipal, fixando as alíquotas de cobrança.





