Curitiba - Entre os 127 municípios mais pobres do Paraná, 53 tiveram um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior à média estadual, no período de 2002 a 2006. Neste período a taxa média de crescimento do Estado foi de 2,82%, segundo informações do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
O Instituto chegou à conclusão que a participação no PIB dos municípios pobres como um todo pelo menos acompanhou o crescimento da economia do Estado no período, com base nos dados do último relatório relativo ao PIB dos municípios brasileiros, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Informações sobre o desenvolvimento do PIB em 2007 e 2008 ainda não estão disponíveis.
Entre os exemplos mais significativos estão municípios que chegaram a triplicar seu PIB nestes quatro anos, apesar de figurarem entre os mais pobres do Estado, como Tunas do Paraná. O município, localizado na Região Metropolitana de Curitiba, há seis anos ocupava 390 posição no ranking dos mais pobres e saltou para a 257 posição em 2006. A participação do município no PIB estadual cresceu 23%. Doutor Ulysses (117 km ao norte de Curitiba) é outro exemplo deste crescimento. O município mais que triplicou seu PIB no mesmo período, sua participação no PIB estadual aumentou 43%, passando da 319º posição no ranking estadual para a 161º, entre 2002 e 2006.
No entanto, alguns municípios que não figuravam entre os mais pobres em 2002 tiveram uma redução drástica em seu PIB e passaram a fazer parte da categoria. É o caso de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão), que em 2002 figurava na 216 posição e em 2006 foi para a 312. Na mesma situação a cidade de Maria Helena (32 km a nordeste de Umuarama), que caiu 84 posições no ranking, passando da 239 para a 323.
De acordo com o economista especialista em investimentos, Mohamed Talah Júnior, o crescimento de municípios mais pobres pode ser considerado um reflexo do bom momento que a economia vinha vivendo, influenciado pelo aumento nos repasses governamentais. ''Os municípios menores são dependentes totalmente de repasses, como havia um bom momento econômico havia também um aumento de repasses federais e estaduais'', afirmou. Segundo ele, municípios que souberam investir os recursos recebidos acabaram criando melhor condições de atrair empresas e gerar empregos.
Outro aspecto apontado pelo economista que pode explicar o crescimento das regiões pobres é a ampliação das economias externas, como a China. Ele lembra que principalmente a agroindústria e extração de minérios impulsionaram a economia como um todo, favorecendo a agricultura uma das principais fontes de renda desses municípios. ''O mundo crescia e nós crescemos junto, como grandes fornecedores de alimentos e matéria-prima'', disse.
No entanto, Talah Júnior alerta que a situação pode não ser tão promissora nos próximos meses devido a crise econômica internacional, sobretudo para as regiões mais pobres. ''A tendência é que em 2009 o repasse de recursos diminua. Quem não realizou investimentos com esses recursos poderá ter dificuldade'', explicou.
Para ele, a melhor forma de utilizar verbas recebidas nos próximos meses será por meio de investimentos na agricultura e no comércio local.

mockup