Parece até regra no Paraná: quanto menor o município, maiores as chances de haver troca-troca partidário no Poder Legislativo. Dentre as 34 cidades paranaenses onde existem cinco ou mais vereadores sendo processados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária, 76% têm menos de 15 mil habitantes.
O levantamento foi feito pela FOLHA a partir da lista de 660 políticos contra os quais o Ministério Público Eleitoral (MPE) propôs ação. Contando os pedidos de cassação de mandato formulados por partidos e outros interessados, o total de nomes que correm o risco de perder seus cargos chega a 1.080 em todo o Estado - o maior volume do País.
Com 5.289 habitantes (dados da contagem populacional 2007 do IBGE), Tapira (96 km a nordeste de Umuarama) ocupa isolado o topo da lista. Todos os nove vereadores da cidade são alvos de processos no TRE. A imagem de Câmara-emblema da infidelidade partidária parece ter incomodado o presidente da Casa, Antônio Evangelista (PMDB), que se recusou a dar entrevista sobre o assunto e disse apenas que ''isso (infidelidade) acontece no Brasil inteiro''.
Conforme a listagem do MPE, outros três municípios paranaenses têm sete de seus representantes no Legislativo sob ameaça de perda de mandato. Todos possuem menos de 15 mil habitantes. Para o vereador Valdinei Aparecido de Oliveira (PTB), presidente da Câmara de Congoinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio) - uma das cidades que dividem o segundo lugar do ranking de infiéis - e também ameaçado, permanecer num partido ''é muito mais difícil'' num município de pequeno porte.
''Aqui todo mundo conhece todo mundo. Se a direção do partido lá em Curitiba entrega o diretório municipal nas mãos de um adversário seu, como é que você vai ficar?'', diz Oliveira, ex-PDT, usando seu próprio exemplo. ''Somos sete (processados) na Câmara. O clima é de insegurança. Se todos esses perderem o mandato, vai mudar a cara da cidade'', teme o representante do município de 8,5 mil habitantes.
Das 10 cidades que têm meia dúzia de seus vereadores na lista do MPE, oito têm menos de 9 mil habitantes. As exceções são a litorânea Pontal do Paraná (16,6 mil habitantes) e Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (234 mil habitantes).
O número de municípios dobra quando se contabiliza aqueles que têm cinco legisladores apontados como infiéis. Mas entre as 20 cidades, mais uma vez há apenas duas de médio a grande porte: Paranaguá e a capital Curitiba. Entre as menores está Jataizinho (21 km a leste de Londrina), com 11,2 mil habitantes. Um de seus cinco representantes que migraram de partido no ano passado e acabaram na mira da Justiça é o vereador Dirceu Urbano (PTB), para quem a resolução do TSE que trata de infidelidade partidária ''pegou a todos de surpresa''.
''Eu praticamente fui expulso do PV dois dias antes do último prazo para mudar de partido, e é isso que vou apresentar como justa causa ao TRE. Sempre gostei do PV, mas não podia ficar sozinho depois que me destituíram da presidência do diretório municipal'', comenta o vereador, que tem planos de concorrer à prefeitura da cidade este ano.
Curiosamente, à exceção de Curitiba, Colombo e Paranaguá, as 10 maiores cidades do Paraná têm um ou nenhum vereador na lista do MPE. Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel possuem um único representante ameaçado de ficar sem a cadeira na Câmara. Ponta Grossa, São José dos Pinhais e Guarapuava sequer apareceram na primeira listagem.

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