Curitiba - Cerca de 360 dos 399 municípios do Paraná devem fechar as portas hoje para protestar contra a queda no repasse de verbas federais e estaduais e pressionar por mudanças no texto da reforma tributária. No ''Dia de protesto'', convocado pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP) na sexta-feira passada, apenas serviços básicos devem ser mantidos.
Segundo o presidente da AMP e prefeito de Barracão, Joarez Henrichs (PFL), algumas prefeituras vão fechar as portas na próxima sexta-feira. Considerando os dois dias, a adesão à paralisação deve chegar a 90%, calculou ele. O movimento deve se restringir aos municípios menores. As prefeituras das seis maiores cidades do Estado (Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa) vão prestar todos os serviços normalmente. No entanto, municípios de porte médio, como Guarapuava, vão paralisar as atividades hoje, com exceção dos serviços de saúde e limpeza pública.
''Entendemos que as prefeituras maiores têm mais dificuldades de fechar, mas queremos apenas um apoio, para mostrar ao governo federal e estadual que aos municípios estão à beira da falência'', disse Henrichs. Segundo ele, a reforma tributária apresentada pelo governo federal, em discussão no Congresso, não contempla as necessidades dos municípios. ''Queremos que as cidades tenham participação em todos os impostos'', exemplificou.
A AMP também reclama dos repasses federais e estaduais para a manutenção de saúde e educação, por exemplo. ''Não é apenas choradeira dos prefeitos, como alguns têm falado. Apenas não é possível prestar assistência à saúde recebendo R$ 1,50 por pessoa por mês, ou então preparar merenda escolar com apenas R$ 0,13 por aluno'', argumentou.
Na reunião de sexta-feira passada a AMP recomendou às prefeituras a renegociação de dívidas federais e estaduais. Segundo Henrichs, alguns prefeitos já suspenderam esses pagamentos, por falta de verbas. Cerca de 80% das cidades paranaenses dependem diretamente dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que nos últimos três meses sofreu redução média de 36%.
Além da paralisação das atividades por um dia, a AMP recomendou corte de gastos. Foz do Iguaçu e Cascavel decidiram reduzir o expediente de atendimento a partir da próxima sexta, 1º de agosto. Em Foz do Iguaçu, os serviços municipais vão funcionar das 8 às 14 horas. Já em Cascavel o atendimento será feito à tarde (12h30 às 18h30), com exceção dos serviços de educação, saúde, ação social e administração dos cemitérios, que vão determinar as próprias jornadas.
A prefeitura de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), que também aderiu ao protesto, suspendeu compras que não sejam emergenciais, cortou de 30% do combustível e está controlando as ligações interurbanas. As escolas municipais também só voltam às aulas no dia 4 de agosto.

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