O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), disse ontem que o municipalismo não pode servir de instrumento de pressão para resolver um problema que ‘‘não vale a pena para as prefeituras’’. Ele se refere à possível adesão dos prefeitos a favor ou contra o governo federal na polêmica sobre a moratória decretada pelo governador de Minas Gerais Itamar Franco (PMDB).
José do Carmo classificou de ‘‘inadequada, intempestiva e na contramão da história’’ a atitude de Franco. Ele disse ter telefonado para dirigentes da Associação Brasileira dos Municípios, da qual é secretário-geral, para alertar sobre a tentativa de envolver os prefeitos na discussão. ‘‘Daqui a pouco estaremos só engrossando fileiras, sem expectativa de lutar pelos nossos problemas’’. Para ele, existe uma grande diferença entre os pleitos dos governadores e os dos prefeitos. ‘‘A luta é heterogênea e desproporcional’’.
O dirigente argumentou que os estados renegociaram suas dívidas com a União por 6% ao ano e por 30 anos, enquanto os municípios são obrigados a pagar débitos com o INSS e FGTS com base na taxa Selic que, no mês passado, foi de 2,4%, fora os juros. ‘‘Dá uns 20 por cento ao ano’’, afirmou.
José do Carmo disse que só adiantaria envolver-se num movimento cuja meta fosse resolver o problema da maioria dos municípios. ‘‘Enquanto se discute a rolagem da dívida novamente dos governos estaduais, nossas reivindicações estão ficando para um plano secundário e é necessário acordar’’, criticou.
Ele defendeu a união do municipalismo para rever as atribuições da União, dos estados e municípios; buscar a reforma fiscal e redistribuir o bolo tributário.

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