Municípios acusam perda de 15% da verba repassada pelos Estados
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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CuidadoRigotto:É preciso verificar os efeitos que as mudanças terão na receita dos municípiosA Lei Kandir, que isentou a exportação de produtos básicos e a compra de bens de capital da incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), resultou numa diminuição de 15%, em média, nos repasses que os Estados fazem aos municípios com base na arrecadação do tributo. A estimativa foi apresentada ontem à Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski.
A Comissão de Finanças convocou uma reunião de prefeitos para analisar os efeitos da Lei Kandir e a proposta de reforma tributária apresentada em setembro ao Congresso pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. Prefeitos e deputados concordaram quanto à necessidade de uma reforma que defina claramente a participação da União, Estados e municípios na arrecadação tributária e as tarefas de cada esfera de governo. Mas não tiveram condições de fazer uma avaliação mais segura da proposta do governo.
É preciso fazer simulações rigorosas sobre os efeitos que as mudanças sugeridas terão na receita dos municípios, disse o deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), vice-presidente da Comissão. A proposta do Ministério da Fazenda procura simplificar o atual sistema tributário, tendo como linha básica a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para substituir sete tributos e contribuições hoje em vigor.
A maioria dos presentes à reunião concordou com a orientação geral da reforma, ao condenar os remendos que vez por outra são feitos na legislação tributária por interesse da União, como a própria Lei Kandir ou o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). A prática tem mostrado que o importante não é a possibilidade de os municípios criarem este ou aquele imposto, mas que os critérios de repartição da receita tributária total sejam claramente estabelecidos na Constituição, disse o deputado Luiz Roberto Ponte (PMDB-RS), autor de um projeto de reforma tramitando há anos na Câmara.
Os prefeitos, na sua maioria, reclamaram das dificuldades financeiras vividas pelos municípios. O prefeito de Viamão (RS), Eliseu Chaves, disse que a perda da administração local com a Lei Kandir será de R$ 584 mil neste ano. Por causa do FEF, que suspende parcialmente a vinculação entre receitas e despesas da União, o município deixará de receber R$ 613 mil. Temos de nos organizar para que a reforma tributária não provoque novas perdas para os municípios, defendeu o prefeito de Água Santa (RS), Rogério Coser.


