Município deve prestar contas, diz Pavan
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
O presidente licenciado da Sercomtel, Rubens Pavan, disse ontem ao depor na Comissão Processante (CP) da Câmara de Londrina, que a sua participação na venda da Sercomtel à Copel foi apenas técnica, afirmando que cabe ao município a prestação de contas sobre os R$ 186 milhões obtidos com a transação. O dinheiro foi para os cofres do município, que tem de demonstrar a aplicação dos recursos. O presidente da telefônica já havia feito essa afirmação anteriormente.
Executivo afirmou à CP que sua parte na transação foi técnica, e que prefeitura deve demonstrar o que fez com os R$ 186 milhões
Pavan foi arrolado como uma das testemunhas de defesa do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL) na CP que apura irregularidades na venda de 45% das ações da Sercomtel para Copel. Segundo o presidente da CP, Salvador Francisco (PSB), Pavan teria dito que a decisão de vender as ações para um parceiro estratégico ao invés de ir para a bolsa de valores foi do chefe do Executivo.
A venda para um parceiro estratégico foi questionada na semana passada, quando foi divulgada uma perícia da CP. O perito Daniel Felipetto explicou que o ágio da venda das ações poderia ser maior se fossem para a bolsa de valores. Pavan disse que se trata de um entendimento subjetivo. A venda na bolsa poderia também trazer um ágio menor, observou Pavan, afirmando que a operação foi realizada com toda a lisura.
Segundo Salvador, Pavan também deixou à CP documentos referentes à transação, entre eles, duas fotos datadas de maio de 98, quando foram assinados o protocolo de intenções e o contrato de compra e venda das ações. Nas fotos, tiradas no Palácio do Iguaçu, aparecem Pavan, Belinati, o presidente da Copel, Ingo Hubert, e o governador Jaime Lerner (PFL).
A CP apura ainda irregularidades na compra de marmitas e na contratação do show da Xuxa. Segundo a denúncia, apesar de o show ter sido cancelado, a prefeitura desembolsou R$ 60 mil à Archyvo X, que intermediou o negócio. Não sabia, não opinei e não participei da contratação ou da rescisão, disse Pavan. Ele afirmou que só avisou a empresa sobre o cancelamento. Estava em São Paulo e o prefeito pediu.
Depois de Pavan, os membros da CP ouviram o diretor da Sercomtel, João Arcoléze. Outras seis testemunhas de defesa não compareceram quatro argumentaram que tinham outros compromissos e outro não foi localizado. O ex-procurador jurídico do município, Eduardo Duarte Ferreira, também não apareceu. Salvador disse que irá fazer uma reunião com outros integrantes da comissão para verificar quais os próximos passos da CP.


