Atendendo a um pedido da Promotoria do Patrimômio Público de Londrina a Procuradoria Geral do Município encaminhou ontem à Justiça um pedido de desistência da ação civil pública proposta em fevereiro de 2000 contra três ex-diretores, um funcionário público e 24 empresas. Todos estariam envolvidos no desvio de R$ 16 milhões da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU) e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). A ação foi proposta pelo então prefeito Antonio Belinati (sem partido), que depois foi apontado como um dos principais acusados pelas irregularidades.
Na época, a ação pedia o ressarcimento por danos causados ao patrimônio público. Conforme a promotora Solange Vicentin, a ação não explorou os detalhes das irregularidades, bem como não chegou aos principais beneficiários dos desvios, entre eles Belinati.
Ainda de acordo com a promotora, a ação civil foi ajuizada antes de o Ministério Público entrar com a sua primeira representação a respeito dos escândalos AMA/Comurb. Ao contabilizar os responsáveis pelas 24 empresas, a ação civil notificou 52 pessoas, entre físicas e jurídicas. ''Mas não a ação não detalhou as irregularidades e o onde foram parar os recursos (desviados)'', avalia a promotora.
Solange entende que a medida foi uma estratégia adotada pela Procuradoria Geral do Município para dar uma satisfação com relação aos indícios de irregularidades. Todas as pessoas citadas na ação civil, inclusive o ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, estão já sendo processados pelo Ministério Público. Alonso, réu confesso, foi uma das primeiras pessoas a dar detalhes sobre o esquema de desvio de recursos públicos.
O pedido de extinção do processo foi encaminhado ontem à 8 Vara Cível de Londrina. Segundo o procurador geral do município, Carlos Scalassara, a idéia vem ao encontro do interesse da coletividade ao concentrar todos os processos no Ministério Público. As investigações do MP resultaram em várias ações cíveis e criminais. Por conta das denúncias, Belinati e alguns de seus ex-secretários chegaram a ficar presos.

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