Ao contrário de pelo menos cinco prefeituras do Estado que anunciaram a intenção de demitir juntas 1.100 servidores, a prefeitura de Marumbi (33 km ao sul de Apucarana) está arrumando formas criativas para combater o desemprego. A prefeitura está apoiando projetos comunitários que devem garantir mais de 100 empregos. O número pode ser considerado elevado no município, que tem 5 mil habitantes e a prefeitura como maior empregadora - 150 funcionários.
São projetos para profissionalização de mão-de-obra e geração de renda nas áreas de marcenaria, agricultura, produção de doces, trabalhos manuais (bordado, crochê, pintura e costura) e confecção. Com exceção do último projeto, os outros já estão garantindo renda de um a um e meio salário mínimo aos beneficiados.
‘‘O município é pequeno e industrializar é difícil. A concorrência com cidades maiores é muito grande. Então, arrumamos projetos menores, mas que garantam emprego e renda’’, explica o prefeito Ademar Pini (PFL). ‘‘Aqui só não estamos conseguindo fazer chover’’, brinca Conceição Aparecida Algarte Ribeiro, coordenadora do Clube de Mães Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que reúne 11 donas de casa que costuram, pintam e bordam para ampliar a renda familiar.
Clube das Mães reúne 11 donas-de-casa que garantem um salário mínimo e meio, em média, costurando, pintando e bordando
Josoé de CarvalhoHá sete meses, Conceição conseguiu que os primeiros materiais para uso fossem doados pela prefeitura. Hoje, os projetos se sustentam sozinhos, garantindo renda média de um salário mínimo e meio às participantes. Algumas não sabiam manusear agulhas, linhas, pincéis e apliques, mas aprenderam e não se arrependem. ‘‘Estou ajudando em casa’’, afirma Sueli Micheleti Vieira, que tem duas filhas. O marido é torneiro mecânico e passou alguns meses desempregado.
Outra dona de casa, Dirce Matano, também gasta com a família o que recebe fazendo crochê e bordando. ‘‘Antes pingar do que secar’’, compara. Ela acredita que qualquer prefeitura pode garantir a geração de emprego, usando a organização da comunidade. ‘‘Basta boa vontade política e disposição para trabalhar’’.
Outro projeto é uma pequena fábrica de doces. A prefeitura investiu cerca de R$ 15 mil no equipamento e cedeu o barracão para Gerolino Moreira, que tem experiência de 15 anos no ramo, mas não tinha capital para montar o próprio negócio. A empresa está funcionando há dois meses e emprega seis pessoas. A fábrica produz doces de abóbora e de leite, além de paçoca para vários municípios da região. Apesar disso, ele ainda não tem um veículo para fazer a distribuição de seus produtos.
Mas Gerolino Moreira aposta que vai conseguir incrementar o negócio e aumentar o número de empregos. ‘‘A vida está tão amarga que se a gente não batalhar com força, a coisa complica’’, diz o doceiro. Ele não acredita que o pacote de ajuste fiscal possa atrapalhar seu pequeno comércio. ‘‘O doce tem qualidade, alimenta e é barato’’, propagandeia.
Outro projeto é a marcenaria comunitária, também montada pela prefeitura para profissionalizar principalmente jovens. Sete deles estão aprendendo e já recebendo de meio a um salário mínimo por serviços prestados na confecção de cadeiras e bancos. O instrutor é ex-marceneiro e ex-vereador José Pavezi. ‘‘Por enquanto o salário dos jovens não é muito, mas acho que importantíssimo dar oportunidade aos garotos aprenderem uma profissão’’, explica.
Dois adolescentes - Rodrigo Aparecido Pinto, 17 anos, e Elton César Placidini, 15 - estão entusiasmados com o projeto. Rodrigo ajuda a família com o dinheiro que recebe. Elton colabora com um pouco, ficando com a maior parte.
Além desses projetos, a prefeitura tem horta comunitária que emprega cinco pessoas. A produção abastece as creches e as escolas, além de sua venda gerar renda aos funcionários que trabalham no terreno. Há ainda o codornário que produz de 800 a 1.000 ovos por dia, também usados na merenda. Dois funcionários trabalham nesse projeto.

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