Desde o dia 2 de janeiro, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deixou de coletar o lixo orgânico e rejeito de 330 empresas que produzem mais de 600 litros de resíduos por semana, mas, segundo a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), o número de grandes geradores em Londrina gira em torno de 3 mil. Se os dados estiverem corretos, o lixo de 90% dos geradores comerciais continua sendo coletado com dinheiro público, o que é proibido pela Lei Nacional do Saneamento e pelo decreto municipal 769, de fevereiro de 2009.
O presidente da CMTU, André Nadai, disse que deixou de recolher o lixo das empresas que constavam de relação - os 330 grandes geradores - encaminhada pela Sema e que depende da secretaria para saber quais são outros geradores comerciais do município.
Já José Novaes Faraco, que até ontem respondia pela Sema, afirmou que ''não é bem assim'' e que a CMTU está criando desculpas para continuar coletando o lixo dos grandes geradores. ''Quem faz o recolhimento sabe a quantidade de lixo que está coletando. Se encher um caminhão é grande gerador e é só deixar de coletar'', aconselhou Faraco.
Segundo o ex-secretário, apenas 330 empresas apresentaram o plano de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS), estudo exigido pelo decreto municipal 769, que aponta a quantidade de resíduos produzida pelo gerador. Mas Faraco estima que haja mais de 3 mil grandes geradores na cidade. Ele admitiu que deixou de cobrar a entrega dos estudos. ''Encontrei muitos PGRS virtuais, fraudados e denunciei a todos os órgãos competentes, mas nada foi feito. Então cansei e não fiz mais nada'', admitiu Faraco.
O presidente do Conselho Municipal do Ambiente (Consema), Fernando Barros, entende que é responsabilidade do secretário do Ambiente cobrar as empresas para apresentar o PGRS. ''O coletor não pode simplesmente olhar para a quantidade de lixo e dizer que é um grande gerador. É a Sema a responsável por exigir o PGRS'', explicou Barros. ''A Sema e a CMTU têm que se entender porque o prefeito poderá responder por improbidade administrativa já que continua coletando o lixo dos grandes geradores e isso não é um serviço público.''

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