Prefeitos e presidentes de entidades municipalistas reunidos ontem na sede da Associação Brasileira dos Municípios (ABM) ameaçaram promover mais uma Marcha a Brasília, como a ocorrida no mês passado, caso não tenham ‘‘resposta rápida’’ do governo. ‘‘Entregamos as reivindicações, mas até agora não tivemos qualquer resposta. As delegações se dispõem a voltar a Brasília para cobrar o governo’’, avalia o secretário-geral da ABM e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB).
Ele também preside a Associação dos Municípios do Paraná e disse que as entidades municipalistas representadas no encontro de ontem, em Brasília, exigem respostas do governo para os 13 itens de reivindicações que elas consideram ‘‘fundamentais’’. A marcha foi realizada no mês passado com a presença de cerca de 2 mil dos 5,5 mil prefeitos de todo o País. Eles reivindicam renegociação das dívidas de R$ 15 bilhões dos municípios com a União, além de mais verbas federais.
José do Carmo disse que uma audiência com o ministro dos Transportes e interlocutor do governo, Eliseu Padilha, está sendo agendada pelos municipalistas para a semana que vem. No encontro, as lideranças entregarão, de novo, a lista de reivindicações. O documento foi entregue ao então presidente da República em exercício, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘Precisamos avançar’’, reivindica.
O movimento definiu ainda uma coordenação geral que será feita pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), por sugestão do prefeito de Arapongas e presidente da Federação das Associações dos Municípios do Paraná, José Bisca (PFL). Além da CNM integram o movimento a ABM, a Associação Brasileira de Prefeitos, Frente Nacional dos Prefeitos (formada pelos prefeitos das capitais) e União de Vereadores do Brasil.
As entidades também estão avançando na discussão sobre a reforma tributária. Embora o presidente Fernando Henrique Cardoso tenha afirmado que ela só será feita depois das eleições, os municípios não pretendem esperar o encaminhamento do projeto ao Congresso. ‘‘Nós sabemos o que é bom para nós e vamos nos antecipar’’, explicou José do Carmo. Entre os itens de consenso, os prefeitos dizem que não aceitarão perder receita e autonomia sobre a capacidade de tributação, conquista da Constituição de 1988, além de não ‘engolirem’ as chamadas compensações. ‘‘O governo tira receita e depois promete compensar. Não aceitamos mais’’.

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