Milhares de pessoas foram as ruas das capitais do Brasil neste domingo (21) para protestar contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a chamada PEC da Blindagem, que prevê exigência de autorização do Congresso para processar criminalmente deputados e senadores.

Foram registradas multidões nas ruas de grandes cidades como Salvador, Recife, Natal e Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, 33 cidades tiveram atos, incluindo todas as 27 capitais.

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Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas protestar neste domingo (20) contra uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade dos legisladores e um projeto de anistia que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe.

Dias depois de Bolsonaro ter sido sentenciado a 27 anos de prisão após um julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF), as atenções se voltam para o Congresso de maioria conservadora, acusado por seus críticos de colocar os interesses dos parlamentares acima dos problemas sociais e econômicos do país.

O Rio de Janeiro registrou um dos maiores protestos entre as capitais, com milhares de manifestantes na orla de Copacabana
O Rio de Janeiro registrou um dos maiores protestos entre as capitais, com milhares de manifestantes na orla de Copacabana | Foto: Pablo Porciuncula/ AFP

Aos gritos de "Sem anistia", uma multidão tomou as ruas de mais de uma dezena de cidades, incluindo o Rio de Janeiro, que contou com a presença de três ícones da música popular brasileira — Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque — na orla da praia de Copacabana.

Em São Paulo, uma multidão lotou a Avenida Paulista. Perto das 13h, os manifestantes já tomavam as estações de metrô com milhares de pessoas dirigindo-se ao local de protesto.

Avenida Paulista durante as manifestações contra a anistia e a PEC da Blindagem; protestos ocuparam até os metrôs
Avenida Paulista durante as manifestações contra a anistia e a PEC da Blindagem; protestos ocuparam até os metrôs | Foto: Nelson de Almeida/ AFP

Um boneco inflável gigante de Bolsonaro, com bigode de Hitler, garras e sangue nas mãos, balançava em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, de onde os manifestantes marcharam até o Congresso antes de se dispersarem.

Alguns vestiam camisas vermelhas do Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros se cobriam com a bandeira do Brasil, emblema dos apoiadores de Bolsonaro.

MOTIVAÇÃO DOS PROTESTOS

Na terça-feira, a Câmara dos Deputados, de maioria conservadora, aprovou a proposta de emenda constitucional conhecida como PEC da Blindagem, que exige que o Congresso autorize por meio de voto secreto qualquer acusação penal contra deputados e senadores.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu o projeto como uma proteção contra abusos judiciais. A medida provocou a ira de artistas brasileiros e de cidadãos nas redes sociais.

Diante da indignação, vários deputados que votaram a favor do que os críticos chamaram de "PEC da Bandidagem" pediram desculpas nas redes sociais.

A indignação cresceu na quarta-feira, quando os congressistas aprovaram tramitar com caráter de urgência outro projeto para anistiar os cerca de 700 bolsonaristas condenados pelo ataque de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

O texto também poderia incluir um perdão a Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada a 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado contra Lula após perder as eleições em 2022.

Em Brasília, a resposta às pautas conservadoras veio em forma de forte protesto sintetizado na frase: "Congresso inimigo do povo"
Em Brasília, a resposta às pautas conservadoras veio em forma de forte protesto sintetizado na frase: "Congresso inimigo do povo" | Foto: Evaristo Sa/ AFP

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da emenda de proteção aos legisladores no Senado, já disse que pedirá a rejeição.

Em entrevista à BBC, o presidente Lula prometeu vetar a lei de anistia e qualificou o projeto de blindagem como algo que não é do tipo de "assunto sério" com o qual os legisladores deveriam se ocupar.

Com o mote “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, entre outros crimes.

SALVADOR

Em Salvador (BA), milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana.

O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.

CURITIBA

Em Curitiba (PR), milhares de pessoas também ocuparam a Boca Maldita, tradicional ponto de eventos políticos da capital paranaense. Nem a ameaça de chuva afastou os manifestantes que carregavam faixas e gritavam palavras de ordem contra a anistia e a PEC da Blindagem.

BELO HORIZONTE

Em Belo Horizonte (MG), uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.

RECIFE

Em Recife (PE), o ato começou por volta das 14h, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.

JOÃO PESSOA

A capital paraibana João Pessoa (PB) também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que é um deputado federal paraibano e preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.

Também foram registrados atos em Belém (PA); Teresina (PI); Natal (RN); Fortaleza (CE); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC) e várias cidades do interior.

Convocados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL e PT, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

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