Multas de trânsito agitam campanha em Curitiba
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As multas de trânsito em Curitiba entraram na pauta da disputa municipal. O governador Roberto Requião (PMDB), cabo eleitoral de Ângelo Vanhoni (PT), aproveitou ontem a retomada das reuniões com seu secretariado para anunciar que a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) deve entregar hoje estudo para verificar se há necessidade de quitação das multas aplicadas pela Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) para renovação do licenciamento anual dos automóveis.
Requião acredita que a quitação não é necessária por dois motivos. Primeiro, pela inexistência de convênio com a Prefeitura de Curitiba, pelo qual o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) cobrava as multas originadas pelos radares. O convênio foi questionado por Requião em junho do ano passado, e desde aquela época não foi renovado. Na última sexta-feira, o governador reafirmou a decisão de não renovar o convênio com a Prefeitura de Curitiba. Decisão endossada por Vanhoni que já incluiu o assunto em seu discurso contra o candidato do prefeito Cassio Taniguchi, vereador Osmar Bertoldi (PFL).
Outro ponto levantado pelo governador, no caso radares, refere-se à terceirização. ''Como é que se pode terceirizar a função de um agente público? Seria como terceirizar a ação dos fiscais da Receita Estadual, contratar uma Adifea da vida para fiscalização e arrecadar as multas do Estado'', questionou. Para Requião, se trata de uma ''estripulia'' da prefeitura para arrecadar dinheiro.
O prefeito Cassio Taniguchi (PFL) rebateu no mesmo tom. ''Estripulia é a dele, que não resolveu o problema do pedágio. É uma questão de juízo de valor'', contra-atacou. Cassio disse que a quitação das multas antes do licenciamento é uma determinação federal. Assim como o prefeito, Osmar Bertoldi tem dito que depois da instalação dos radares, houve redução no número de mortes no trânsito curitibano.
Requião também afirmou que pretende lançar essa discussão entre os candidatos a prefeito não apenas para saber a posição dos candidatos, mas também para alertá-los sobre o risco do futuro prefeito ter que pagar contratos de aluguel feitos a médio e longo prazo, ''o que acabaria eternizando esse proceso''. A Agência de Notícias do governo já realizou anteontem uma enquete com os candidatos, a grande maioria contra o sistema de fiscalização em vigor. ''Parece racional colocar algumas lombadas eletrônicas em pontos identificados como críticos, mas não tenho nenhuma dúvida de que o aumento das barreiras às vésperas das eleições se destina a forçar o próximo prefeito a pagar contratos'', acusou.
Estudo da Secretaria de Estado da Segurança, de acordo com Requião, mostraram que 59 dos 110 radares de Curitiba estão instalados em lugar onde nunca ocorreu acidente. O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, também lembrou que o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) solicitou à Diretran, há mais de um mês, um estudo técnico sobre a implantação dos novos radares, sem receber resposta. (Com Maigue Gueths)


