Multa do TJ faz servidores da Saúde voltarem ao trabalho
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A pressão da Justiça surtiu efeito, e os servidores da rede municipal de Saúde aprovaram ontem em assembléia o retorno aos trabalhos já a partir de hoje, quando a greve completaria 95 dias. A despeito da expectativa de negociação, a retomada das atividades atendeu determinação do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR): essa semana, o órgão elevou de R$ 10 mil para R$ 20 mil o valor da multa diária ao sindicato que representa a categoria, o Sindserv, caso fosse mantido o descumprimento à liminar que ordenava a reabertura de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) afetadas pela paralisação. Os demais setores do funcionalismo, contudo, permanecem mobilizados.
A assembléia de ontem estava marcada para as 13 horas, mas aconteceu só depois de acabada a sessão ordinária na Câmara de Vereadores, onde, a exemplo da última terça-feira, novamente houve manifestação dos grevistas (leia texto nesta página). Uma vez instalados em frente ao prédio da Prefeitura, os funcionários chegaram a esboçar a reação de que nada seria votado, mas a impressão foi diluída assim que o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, tomou a palavra e defendeu o cumprimento à decisão judicial.
''Temos que repensar o cumprimento da ordem judicial, senão estaríamos à margem da lei. É dar um passo atrás para dar dois adiante'', recomendou, para completar, com metáforas: ''A Saúde precisa descansar um pouco do jogo, mas os outros jogadores têm a possibilidade de entrar em campo e manter sua defesa''.
Por ampla maioria, os servidores decidiram retornar hoje a todas as funções afetas à Saúde municipal - de motoristas a médicos -, mas manter duas assembléias semanais e a participação alternada, conforme o turno de cada um, nas ações da greve. Aliadas a isso, serão intensificadas as ações de conscientização junto à comunidade, especialmente por meio de panfletagem. Pelo tom da assembléia, os grevistas devem explorar a ação civil pública ingressada anteontem pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público: nela, o prefeito Nedson Micheleti (PT) foi acusado de ''omissão dolosa'' em resolver o impasse com o funcionalismo.
O presidente do Sindserv negou que o retorno da Saúde vá enfraquecer o movimento - afinal, é a Saúde a área que fortaleceu a greve deste ano, dada a baixa adesão da Educação. Ano passado, foi a rede municipal de ensino que sustentou boa parte dos 31 dias parados. Urbaneja destacou que, se aceito pelo TJ o embargo de declaração ingressado pelo sindicato (contra a primeira multa), os trabalhos novamente podem ser suspensos.
''A luta é contínua, a paralisação é apenas parte dela. Agora vamos intensificar a mobilização de quem ainda não aderiu, nos outros setores. Só mostramos que os intransigentes não somos nós'', eximiu-se.
Já sobre a reabertura da sede admininistativa da Prefeitura, fechada desde 8 de agosto, Urbaneja ironizou: ''O prédio sempre esteve aberto, nunca fizemos piquete lá. Se está fechado, é pela omissão do prefeito''. Durante a assembléia, sobraram ironias também a grupos localizados de servidores comissionados que ainda não haviam participado de outras reuniões do gênero.
Durante a assembléia, diretores do sindicato explicaram que, entre as atividades programadas junto à sociedade organizada, está também a panfletagem em igrejas. Os alvos, segundo Urbaneja, serão as paróquias lideradas por padres que apoiaram a reeleição de Nedson, na campanha de 2004 contra Antonio Belinati (PP).


