Mulheres se queixam que são discriminadas pelos políticos
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Curitiba 
Albari RosaOnde? O quê?Khury e Irondi Pugliesi: Não há discriminação, só se for por parte delas, diz presidente da ALA maioria das mulheres que detém mandatos legislativos nos municípios do Paraná tem dificuldades de acesso ao poder. Pesquisa divulgada ontem pela deputada estadual Irondi Pugliesi (PPB), no Seminário Mulheres no exercício de Funções Públicas, revela que 39,5% das vereadoras eleitas em 96 não consegue falar com o governador do Estado; 21% com os deputados estaduais; 19% com o senadores; 17,3% com os deputados federais e 2,5% com os prefeitos.
Discriminação e falta de conhecimento de legislação, de experiência e de conhecimento político são as outras barreiras enfrentadas pelo sexo feminino ao assumir uma função pública. Das entrevistadas (100 das 379 eleitas em 96) pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) - o órgão responsável pela pesquisa feita por amostragem - apenas 9,7% dizem não ter encontrado empecilhos.
As promessas de campanha também têm se tornado obstáculo para as vereadoras. Pouco mais de 41% dizem que cumpriram o que prometeram durante a campanha, contra 26% que não estão cumprindo, e 12,% que cumprem parcialmente. A culpa para o descumprimento das plataformas recaem, segundo elas, sobre a falta de recursos financeiros (20,8%); de apoio do Executivo (12,5%); pelo pouco tempo que assumiram a função (12,5%); por serem oposição (12,5%); e por serem minoria nas câmaras (8,3%).
A sondagem mostra ainda que mais da metade das vereadoras paranaenses (58,3%) já foi funcionária pública, da seguridade social ou profissional liberal; 16,7% advêm dos movimentos populares e comunitários; 8,3% do comércio; e 8,3% dos movimentos partidários. Das que exerceram função pública, 19,8% são ou já foram professoras, 11% funcionárias públicas, e 5,2% diretoras de escolas. Dentre as autônomas, 3,1% são agricultoras; 3,1% advogadas; e 1,1% cabeleireiras.
O índice de fidelidade partidária entre as mulheres é alto. Das eleitas em 96, 91,2% permanecem nas siglas em que foram eleitas, contra 8,8% que já pularam de partidos. PMDB foi o que mais elegeu vereadoras nas eleições passadas, 23,7%. Seguido do PDT e do PPB, com 15,5% do total; PFL, 14,4%; PSDB, 12,4%; PTB, 9,3%; e PSC, PST e PT com 2,1%.
Cerca de 40% das vereadoras eleitas em 96 têm curso superior completo; 27,3% segundo grau; e 17,2% primeiro grau. O índice de analfabetismo é baixo, de acordo com a sondagem. Apenas 1% não tem escolaridade e 5,1% o primeiro grau a concluir. A pesquisa indica ainda que 84,8% das eleitas cumprem o primeiro mandato, contra 15,2%. Desse total, 49,1% ingressou na política a convite de partidos ou de políticos; 34,9% por influência de amigos e familiares; 14,2% por decisão pessoal; e apenas 1,9% por desafio pessoal.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), participou da abertura do seminário. Segundo ele, as mulheres do Paraná ainda são muito tímidas na política e precisam ocupar melhor seus espaços. Não há discriminação, só se for por parte delas, ressalva. A vice-governadora Emília Belinati (PTB), o governador Jaime Lerner (PFL) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, participaram ontem do encontro. O senador Roberto Requião (PMDB) não pôde adiar compromissos em Brasília.


