'Mulheres precisam administrar o machismo'
Curitiba - Oitava colocada na disputa para a Prefeitura de Curitiba, a advogada e militante feminista Xênia Mello (Psol) diz ser necessário investir mais em formação política. "Ainda que se tenha cota de 30% de candidaturas de mulheres, não há formação dentro dos partidos. Isso dificulta que as mulheres tenham campanhas mais consistentes", comenta. A psolista recebeu 10.683 votos (1,15% dos válidos), ficando bem atrás de Rafael Greca (PMN), com 356.539 (38,38%), e Ney Leprevost (PSD), com 219.727 (23,66%). Ambos se enfrentarão no segundo turno.
"Se você for pesquisar o gasto de campanha das mulheres, é muito menor. Os homens têm mais facilidade em arrecadar dinheiro, o que se reflete também no crescimento das candidaturas. E tem também a relação midiática da cobertura das mulheres - existe uma misoginia [ódio ou aversão a pessoas do sexo feminino] latente. Ao invés de se avaliar as propostas, o conteúdo, acaba se avaliando atributos pessoais, de família ou de físico. Ou seja, os eleitores, com isso, não têm o devido acesso à informação, às propostas", acrescenta.
Xênia cita ainda a multiplicidade de jornadas, em casa, no emprego e nas ruas, como complicador. "Eu sofri violência tanto por parte da direita conservadora, que tem um discurso de ódio, como por uma parte da esquerda, que não suporta ver uma mulher candidata. Nosso discurso é tido como inocente, como se fôssemos incapazes de sermos prefeitas. Além de destinar energia para construir a campanha, as mulheres precisam administrar o machismo". (M.F.R.)





