Mulheres ocupam 11,6% do Legislativo
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sábado, 14 de outubro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
Números finais das eleições de 1º de outubro, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última semana, mostram que 11,6% das vagas do Legislativo no Brasil serão ocupadas por mulheres a partir de 1º de janeiro de 2001. No total, foram eleitas 7 mil vereadoras nos 26 estados brasileiros, contra 53.257 vereadores. Apenas 20 candidatos, em todo País, não informaram o sexo. Os dados estão disponíveis no site do TSE na Internet (www.tse.gov.br). O TSE não possibilitou um comparativo com as eleições de 96, mas, em muitos Estados, houve crescimento do número de mulheres nas Câmaras de Vereadores.
No Paraná, segundo levantamento parcial feito pela Folha a partir de dados do Tribunal Eleitoral Regional (TRE), pouca coisa mudou entre as eleições de 1996 e de 2000. Este ano foram eleitas 410 mulheres para o Legislativo, de um total de 4.007 acompanhando a média nacional de aproximadamente 10% das vagas. Os números são próximos dos da eleição de 96.
O PFL paranaense foi o que mais elegeu mulheres, em números absolutos: 72 vereadoras, de um total de 664 eleitos pelo partido. O PSDB vem logo atrás, com 71 vereadoras (de um total de 696), seguido de perto pelo PMDB, com 69 vereadoras (de um total de 638).
Os números das eleições de 2000 reafirmam que a participação da mulher ainda está abaixo do potencial. Em Londrina, por exemplo, onde 51% do eleitorado é composto por mulheres, apenas três representantes do sexo feminino vão ocupar cadeiras no Legislativo de um total de 21 vagas. Ainda assim não se pode lamentar o resultado, já que a atual legislatura conta com apenas uma mulher, Elza Correia (PMDB), reeleita com a maior votação da história da Câmara, entre homens e mulheres quase 9 mil votos.
O resultado das urnas também reflete a participação na disputa pelo cargo. Ainda em Londrina, segundo dados divulgados pela Secretaria Especial da Mulher, apenas 64 mulheres, de um total de 317 candidatos, tentaram conquistar uma vaga na Câmara. Os números representam cerca de 20% de participação feminina na eleição, abaixo até do que sugere a chamada lei das cotas, que reserva 30% das vagas dos partidos para a candidatura de mulheres. Ou seja, muitas da vagas não foram ocupadas.
Analisando o resultado da eleição nos 399 municípios do Paraná, no entanto, é possível encontrar exemplos que fogem à regra geral do Estado e mesmo do País. Muitas cidades apostaram na força do sexo frágil e elegeram bancadas femininas representativas. Em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho) e Quatiguá (60 km de Jacarezinho), por exemplo, por pouco as mulheres não compõem a maioria na Câmara.
Na média nacional, o estado com maior participação feminina, em números absolutos, é Minas Gerais, que elegeu 957 vereadoras de um total de 9.093. Em seguida vem São Paulo (824 vereadoras, contra 7.171 vereadores) e Bahia (571, contra 4.128).
Não existe base de comparação com o pleito de 1996. O TSE contabilizou naquele ano a eleição de 57.316 vereadores, no total, sendo 34.870 homens e 4.338 mulheres. Mas 18.108 eleitos para o Legislativo não informaram o sexo o que prejudica uma análise comparativa.


