Mulheres no Executivo federal são menos de 20%
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 2008
Ana Paula Scinocca<br> Agência Estado 
Brasília - A participação das mulheres em postos-chave do Executivo federal não chega a 20%. Levantamento feito pelo Estado mostra que, dos 37 ministérios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo menos 11 não têm sequer uma mulher em cargos de relevância.
O número de ministras também é considerado pequeno. São apenas quatro: Dilma Rousseff (Casa Civil), Marta Suplicy (Turismo), Marina Silva (Meio Ambiente) e Nilcéia Freire (Secretaria de Política para Mulheres). Os números são ruins, mas é impossível, segundo especialistas, não reconhecer que houve avanço nos últimos anos. Pesquisa feita pela professora da Universidade de Brasília (UnB), Tânia Fontenele-Mourão, reforça a tese. De acordo com um levantamento feito pela acadêmica, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) as mulheres em cargos com relevância, como secretarias-executivas, representavam 13%. O número cresceu um pouco no governo Lula, atingindo 19%.
Autora do livro Mulheres no Topo de Carreira, Flexibilidade e Persistência, Tânia atesta: ''A participação das mulheres ainda é irrisória.'' Segundo ela, na base da pirâmide - onde o ingresso dos servidores é por meio de concurso - a relação de homens e mulheres é quase equitativa. O mesmo não se observa nos cargos de confiança. Para Tânia, não é como negar os avanços conquistados nos últimos anos, mas ainda há muito por crescer. ''O que ocorre é que a mudança é social. E isso não é feito com varinha de condão ou machado. É um processo de assimilação'', atesta.
Recordista
Na Esplanada dos ministérios, o campeão de vagas para mulheres é o Ministério do Desenvolvimento Social. Motivo: a maior parte das assistentes sociais no País pertence ao sexo feminino. A pasta, comandada por Patrus Ananias, abriga seis mulheres em postos-chave. A Secretaria de Política para Mulheres é a segunda no ranking, com quatro representantes do sexo feminino. Já o Ministério do Meio Ambiente ocupa a terceira posição com três mulheres, seguido por Casa Civil (2), Planejamento (2), Fazenda (2), Educação (2) Igualdade Racial (2), e Direitos Humanos (2).
A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) têm apenas uma representante cada. Mesmo número de mulheres tem a Secretaria da Pesca e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Esportes, Relações Exteriores, Saúde, Trabalho e Emprego e Turismo.
Segunda mulher na linha de sucessão no Ministério do Desenvolvimento Social, Arlete Sampaio afirma que a participação de mulheres no topo da política e da administração pública depende ainda da mobilização social e de uma posição de governo.
''Como historicamente o poder no Brasil é masculino, é preciso quebrar resistências. Os avanços têm sido significativos, mas ainda insuficientes'', afirma Arlete.


