Mulheres ligadas a delator foram ouvidas
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sexta-feira, 08 de abril de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Seis mulheres que têm laços familiares com o principal delator da Operação Publicano, o auditor Luiz Antonio de Souza, são rés no processo relativo à primeira fase da investigação sobre a suposta organização criminosa incrustada na Receita Estadual de Londrina: duas irmãs, a esposa, a sogra, a filha e a mãe.
Cinco foram interrogadas esta semana, juntamente com outros 13 réus colaboradores do processo. A irmã de Souza que também é auditora da Receita, Rosângela Semprebom, já havia sido interrogada em 8 de março, um dia depois de Souza.
À exceção de Rosângela, que admitiu também atos de corrupção com auditora, as demais foram incluídas no esquema como proprietárias de bens que, de fato, eram do auditor. A irmã e a mãe, por exemplo, constam como proprietárias de fazendas no Mato Grosso, que, de fato, são de Souza. São as fazendas que foram dadas ao poder público como parte do acordo de delação; a mulher, a filha, a esposa e a sogra figuravam como donas nos contratos sociais de duas empresas do auditor.
A promotora Leila Schimiti explicou que o uso dos nomes de familiares tinha a intenção de "dissimular todo esse patrimônio que ele (Souza) havia amealhado ao longo de sua carreira como auditor". "Obviamente, ele não teria como justificar esse patrimônio tendo por origem seus ganhos lícitos provenientes da função pública que ele exercia", declarou.
A promotora lembrou que o destino dos valores arrecadados de maneira criminosa ainda está sob investigação do Ministério Público em inquéritos sobre lavagem de dinheiro.
O advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende toda a família, disse que não há dolo por parte das mulheres, que confiavam plenamente em Souza. Segundo ele, incluir todas no acordo de delação foi condição fundamental para que ele resolvesse colaborar com as investigações. "Um dos motivos para haver a delação premiada foi que cessassem quaisquer ameaças sobre a família. Eu acho que nenhuma pessoa que participou de um esquema desse quer ver atingida sua família."
Para a semana que vem, foram marcados depoimentos de 30 réus, que até hoje não prestaram qualquer declaração sobre os fatos. A expectativa é que neguem participação no suposto esquema. (L.C.)


