Cerca de 50 mulheres de policiais militares estiveram ontem na Assembléia Legislativa, em Curitiba. O protesto contra o governo do Estado foi organizado pela Associação das Esposas de Policiais Militares do Paraná (AEPMPR), que cobrou a extensão do pagamento integral da gratificação PM especial para 23.685 policiais da ativa e da reserva. De acordo com um documento da entidade, a medida ocasionaria um aumento de R$ 7,9 milhões na folha de pagamento da corporação.
‘‘Na campanha pela reeleição, o governador Jaime Lerner (PFL) mandou o deputado Lupion (deputado federal Aberlardo Lupion, também do PFL) percorrer o Estado prometendo a volta da gratificação, assim que ele assumisse o segundo mandato, mas nada aconteceu até agora’’, reclamou Maria da Conceição Santos. Ela é mulher de um sub-tenente e relações públicas da AEPMPR de Londrina. Conceição também tem um filho sargento e outro que é soldado da PM.
Ela informou que a gratificação, graças a uma emenda proposta pelo governo do Estado, foi restabelecida de forma parcial (de soldado de 2ª classe a 1º tenente) e integralmente (de capitão a coronel), retroativa a maio de 96. Na gestão de Roberto Requião (PMDB), disse ela, a gratificação havia sido reduzida a 1% para todas as patentes. Desde dezembro de 1997, porém, 522 PMs da ativa e da reserva estão recebendo o benefício integralmente em cumprimento a uma decisão judicial.
Para comprovar que o pagamento diferenciado da gratificação PM especial está causando transtornos à corporação, a relações públicas apresentou cópia de dois contracheques de soldados. Um deles recebe R$ 290,26 por mês de gratificação porque não tem direito ao benefício integral. Enquanto o outro recebe R$ 525,66 – uma diferença de R$ 235,40 no pagamento da gratificação. Ela também mostrou um levantamento no qual a diferença salarial provocada pelo pagamento integral desse benefício a um 1º tenente, por exemplo, é de R$ 954,10.
A pressão sobre os deputados estaduais deu resultado. O líder do governo no Legislativo, Valdir Rossoni (PTB), comunicou às manifestantes que o secretário estadual de Segurança, José Tavares, agendou uma reunião com a entidade para hoje à tarde.
O protesto das mulheres que se deslocaram de Londrina, Maringá, Paranavaí e outras cidades do interior faz parte da estratégia do fórum que integra cinco diferentes entidades ligadas à corporação. Há mais de um mês, o fórum enviou ao governo do Estado uma pauta com 18 reivindicações. Desde a semana passada, técnicos da Casa Civil e da Secretaria de Segurança estão analisando a viabilidade jurídica das principais delas – como a extensão dos índices de escalonamento vertical e dos percentuais da gratificação PM especial a todos os policiais e pensionistas.
O diretor geral da Secretaria de Segurança, Roberto Blasi, informou que essa análise deverá deverá ser entregue até sexta-feira ao secretário de Segurança e, posteriormente, a Lerner. Se depender dos oficiais da PM, no entanto, a comissão que está analisando as reivindicações será obrigada a correr contra o tempo. Amanhã, o Clube dos Oficiais da PM realiza uma assembléia extraordinária e pretende discutir o conteúdo do documento.

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