Candidatas das mais diferentes correntes ideológicas, do PT ao PFL, formaram em Curitiba uma cooperativa para concorrer às eleições deste ano. A Cooperativa de Mulheres Candidatas já está em funcionamento. Elas pretendem pôr fim – e fazem questão de deixar isso bem claro – às dificuldades que enfrentam na campanha eleitoral até mesmo dentro de seus próprios partidos. Aproximadamente 40 candidatas à Câmara Municipal já estão credenciadas na entidade suprapartidária e sem fins lucrativos. A cooperativa é uma iniciativa do Instituto Brasileiro Museu do Futuro (IBMF), uma ONG que conta com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).
‘‘As mulheres só vão conseguir modificar alguma coisa quando forem eleitas. Os partidos incentivam a partipação feminina até a realização de suas convenções e para preencher a cota de candidatas exigidas pela legislação. Se tivermos uma estrutura feminina maior, sem levarmos em conta as diferenças partidárias, é mais fácil lutar’’, justifica Isabel Marinho, assessora de marketing do IBMF. A cooperativa já usou sua estrutura para elaborar alguns dos textos que as candidatas usaram nos seus programas eleitorais do rádio e da televisão. A partir do dia 1º de setembro, chegam às ruas os outdoors padronizados com o slogan ‘‘Curitiba eleições 2000 – Acredite na mulher’’.
Isabel só lamenta que todas as integrantes da cooperativa não puderam posar juntas para a foto dos cartazes. Nos outdoors, explica ela – que não é candidata – todas as mulheres vão aparecer com o agasalho da cooperativa, com o slogan ‘‘Por que não uma mulher?’’. ‘‘Nossa estratégia é elegermos 10 vereadoras. Elas têm projetos ótimos, mas que não conseguiriam ser aprovados se fossem propostos individualmente. Nossa idéia é criar um gabinete único das vereadoras na nossa Câmara.’’
Atualmente, das 35 cadeiras da Câmara de Curitiba, somente três são ocupadas por mulheres. Vera Lúcia Alves de Oliveira, do PT, é candidata pela primeira vez e está bastante otimista em participar da cooperativa. ‘‘Está na hora de investirmos na mulher. Por que não podemos usar nossos conhecimentos da administração da família para administrar uma cidade?’’, argumenta a servidora pública municipal.
Verinha, como é conhecida, concorda que, unidas, as candidatas realmente terão mais chances de conquistar espaço não só durante a campanha eleitoral. ‘‘Sou filiada ao PT há quase sete anos. Portanto, tenho meu partido e meus ideais. Mas não é por isso que não vou concordar com alguém do PFL, que proponha um projeto que seja bom para todos’’, justifica. Luísa Bernardi, do PPB, vai além. ‘‘A mulher tem que se despertar porque, até ontem, fomos as ‘‘autoras’’ dos candidatos homens. A cooperativa vai despertar a força, a inteligência e a integridade das mulheres políticas, que sempre foram freadas’’, diz.
Vera Abage, candidata a vereadora pelo PFL, afirma que a cooperativa não tem qualquer conotação sexista, mas não poupa críticas aos dirigentes dos partidos políticos. ‘‘Não vamos somente defender a mulher, mas o gênero feminino. Temos que ter uma política participativa e colocar um basta na idéia de que somos vaquinhas de presépio.’’

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