Mulheres candidatas fundam cooperativa
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sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Candidatas das mais diferentes correntes ideológicas, do PT ao PFL, formaram em Curitiba uma cooperativa para concorrer às eleições deste ano. A Cooperativa de Mulheres Candidatas já está em funcionamento. Elas pretendem pôr fim e fazem questão de deixar isso bem claro às dificuldades que enfrentam na campanha eleitoral até mesmo dentro de seus próprios partidos. Aproximadamente 40 candidatas à Câmara Municipal já estão credenciadas na entidade suprapartidária e sem fins lucrativos. A cooperativa é uma iniciativa do Instituto Brasileiro Museu do Futuro (IBMF), uma ONG que conta com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).
As mulheres só vão conseguir modificar alguma coisa quando forem eleitas. Os partidos incentivam a partipação feminina até a realização de suas convenções e para preencher a cota de candidatas exigidas pela legislação. Se tivermos uma estrutura feminina maior, sem levarmos em conta as diferenças partidárias, é mais fácil lutar, justifica Isabel Marinho, assessora de marketing do IBMF. A cooperativa já usou sua estrutura para elaborar alguns dos textos que as candidatas usaram nos seus programas eleitorais do rádio e da televisão. A partir do dia 1º de setembro, chegam às ruas os outdoors padronizados com o slogan Curitiba eleições 2000 Acredite na mulher.
Isabel só lamenta que todas as integrantes da cooperativa não puderam posar juntas para a foto dos cartazes. Nos outdoors, explica ela que não é candidata todas as mulheres vão aparecer com o agasalho da cooperativa, com o slogan Por que não uma mulher?. Nossa estratégia é elegermos 10 vereadoras. Elas têm projetos ótimos, mas que não conseguiriam ser aprovados se fossem propostos individualmente. Nossa idéia é criar um gabinete único das vereadoras na nossa Câmara.
Atualmente, das 35 cadeiras da Câmara de Curitiba, somente três são ocupadas por mulheres. Vera Lúcia Alves de Oliveira, do PT, é candidata pela primeira vez e está bastante otimista em participar da cooperativa. Está na hora de investirmos na mulher. Por que não podemos usar nossos conhecimentos da administração da família para administrar uma cidade?, argumenta a servidora pública municipal.
Verinha, como é conhecida, concorda que, unidas, as candidatas realmente terão mais chances de conquistar espaço não só durante a campanha eleitoral. Sou filiada ao PT há quase sete anos. Portanto, tenho meu partido e meus ideais. Mas não é por isso que não vou concordar com alguém do PFL, que proponha um projeto que seja bom para todos, justifica. Luísa Bernardi, do PPB, vai além. A mulher tem que se despertar porque, até ontem, fomos as autoras dos candidatos homens. A cooperativa vai despertar a força, a inteligência e a integridade das mulheres políticas, que sempre foram freadas, diz.
Vera Abage, candidata a vereadora pelo PFL, afirma que a cooperativa não tem qualquer conotação sexista, mas não poupa críticas aos dirigentes dos partidos políticos. Não vamos somente defender a mulher, mas o gênero feminino. Temos que ter uma política participativa e colocar um basta na idéia de que somos vaquinhas de presépio.


