Cu­ri­ti­ba - Ape­sar das dé­ca­das de par­ti­ci­pa­ção no mer­ca­do de tra­ba­lho e do de­sen­vol­vi­men­to edu­ca­cio­nal e eco­nô­mi­co, as mu­lhe­res ain­da são mi­no­ria no cam­po po­lí­ti­co. O re­sul­ta­do das úl­ti­mas elei­ções mu­ni­ci­pais de­mons­tram es­sa rea­li­da­de. Se­gun­do in­for­ma­ções do Tri­bu­nal Su­pe­rior Elei­to­ral (TSE), das 1.670 mu­lhe­res que con­cor­re­ram ao car­go de pre­fei­ta em 2008 ape­nas 503 fo­ram elei­tas, me­nos de 10% dos 5.549 pre­fei­tos elei­tos.
  Nos le­gis­la­ti­vos mu­ni­ci­pais, o per­cen­tual de va­gas ocu­pa­do pe­las mu­lhe­res foi um pou­co ­maior, cer­ca de 12%. Dos 51.907 ve­rea­do­res elei­tos, 6.498 são do se­xo fe­mi­ni­no. Já no Con­gres­so, os nú­me­ros ­caem ra­di­cal­men­te. Fo­ram elei­tas em 2006 ape­nas 4 se­na­do­ras en­tre as 81 ca­dei­ras do Se­na­do. Na mes­ma elei­ção, 46 mu­lhe­res tor­na­ram-se de­pu­ta­das fe­de­rais, en­tre os 513 par­la­men­ta­res da Ca­sa. Na ad­mi­nis­tra­ção es­ta­dual, ­três dos es­ta­dos bra­si­lei­ros pos­suem go­ver­na­do­ras.
  No Pa­ra­ná, 31 mu­lhe­res es­tão à fren­te de pre­fei­tu­ras mu­ni­ci­pais. Ape­sar do nú­me­ro ser pe­que­no em re­la­ção ao to­tal 399 pre­fei­tu­ras, apre­sen­ta um cres­ci­men­to ao lon­go das úl­ti­mas ­três elei­ções. Em 2000 fo­ram elei­tas 19 mu­lhe­res pa­ra o car­go, nú­me­ro que su­biu pa­ra 22 nas elei­ções de 2004.
  Já o nú­me­ro de ve­rea­do­ras tem se man­ti­do es­tá­vel. Em 2008 fo­ram elei­tas 424 mu­lhe­res en­tre os 3.689 ve­rea­do­res do Es­ta­do. O nú­me­ro é pou­co ­maior do que a elei­ção an­te­rior que ele­geu 405 mu­lhe­res. Em 2000, es­se nú­me­ro era de 409 elei­tas.
  De acor­do com o cien­tis­ta po­lí­ti­co e pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Pa­ra­ná
(­UFPR), Ri­car­do Oli­vei­ra, a par­ti­ci­pa­ção fe­mi­ni­na apre­sen­ta ní­veis va­ria­dos no ­país. ‘‘Se por um la­do po­de-se ob­ser­var um cres­ci­men­to da par­ti­ci­pa­ção fe­mi­ni­na no âm­bi­to mu­ni­ci­pal, há um de­crés­ci­mo des­sa par­ti­ci­pa­ção no Con­gres­so ­Nacional’’, ex­pli­cou. Pa­ra ele, a pe­que­na re­pre­sen­ta­ção no par­la­men­to é con­tra­di­tó­ria em re­la­ção ao de­sen­vol­vi­men­to edu­ca­cio­nal e de ren­da ob­ti­do pe­las mu­lhe­res nos úl­ti­mos ­anos e ao fa­to de que as mu­lhe­res re­pre­sen­tam ­mais de 50% do elei­to­ra­do. ‘‘A par­ti­ci­pa­ção no par­la­men­to não es­tá a al­tu­ra das ou­tras con­quis­tas ob­ti­das pe­las mu­lhe­res. Não hou­ve o cres­ci­men­to es­pe­ra­do nos úl­ti­mos ­anos’’, afir­ma.
  Pa­ra o pro­fes­sor, a par­ti­ci­pa­ção fe­mi­ni­na na po­lí­ti­ca ain­da é mui­to mar­ca­da pe­las re­la­ções fa­mi­lia­res. ‘‘A can­di­da­tu­ra de mui­tas mu­lhe­res es­tá li­ga­da a ­suas re­la­ções fa­mi­lia­res, por se­rem es­po­sas ou fi­lhas de ­políticos’’, dis­se. Ele ob­ser­va tam­bém que a ati­vi­da­de po­lí­ti­ca fe­mi­ni­na é mar­ca­da por um com­por­ta­men­to que cha­mou de ‘‘sín­dro­me de pri­mei­ra-­dama’’. ‘‘Há uma ­área que se es­pe­ra que ­elas tra­ba­lhem, co­mo as­sis­tên­cia ­social’’.
  Pa­ra a ve­rea­do­ra de Cu­ri­ti­ba Noe­mia Ro­cha (­PMDB), a par­ti­ci­pa­ção das mu­lhe­res na po­lí­ti­ca é di­fi­cul­ta­da pe­la men­ta­li­da­de bra­si­lei­ra e as tra­di­ções, que apon­tam os ho­mens co­mo ­mais ca­pa­zes. Pa­ra ela, o pró­prio fa­to das mu­lhe­res não vo­ta­rem em can­di­da­tas tam­bém se­ria cul­tu­ral. De acor­do com Da­ra Ro­sa, in­te­gran­te da Mar­cha Mun­dial das Mu­lhe­res, a au­sên­cia fe­mi­ni­na do mun­do po­lí­ti­co se­ria fru­to de uma cul­tu­ra ma­chis­ta.
Ad­mi­nis­tra­ção
  De acor­do com uma pes­qui­sa di­vul­ga­da na úl­ti­ma sex­ta-fei­ra pe­la Se­cre­ta­ria Es­pe­cial de Po­lí­ti­cas pa­ra as Mu­lhe­res do go­ver­no fe­de­ral, a par­ti­ci­pa­ção do se­xo fe­mi­ni­no em car­gos de se­cre­ta­rias mu­ni­ci­pais tam­bém é pe­que­no. O le­van­ta­men­to le­vou em con­ta ape­nas as ca­pi­tais e con­clui que a mé­dia na­cio­nal é de ­duas mu­lhe­res em ca­da 10 ti­tu­la­res de se­cre­ta­rias mu­ni­ci­pais. São 79 se­cre­tá­rias nas 398 se­cre­ta­rias das ca­pi­tais.
  Se­gun­do a pes­qui­sa, Cu­ri­ti­ba se­ria a ter­cei­ra ca­pi­tal com a me­nor par­ti­ci­pa­ção fe­mi­ni­na, com ape­nas uma mu­lher en­tre os 18 se­cre­tá­rios, a se­cre­tá­ria de Edu­ca­ção Eleo­no­ra Bo­na­to ­Fruet. A ca­pi­tal pa­ra­naen­se fi­ca ape­nas ­atrás de São Pau­lo, que te­ria uma mu­lher en­tre os 26 se­cre­tá­rios e de Flo­ria­nó­po­lis, que não tem ne­nhu­ma mu­lher en­tre as 18 pas­tas.
  Já no go­ver­no do Es­ta­do, as mu­lhe­res es­tão a fren­te de cin­co das 19 se­cre­ta­rias. ­Elas ad­mi­nis­tram a se­cre­ta­ria de Ad­mi­nis­tra­ção, de Ciên­cia Tec­no­lo­gia e En­si­no Su­pe­rior, de Cul­tu­ra, Edu­ca­ção e da Crian­ça e Ju­ven­tu­de. (Co­la­bo­rou An­dré Amo­rim)

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