Mulheres ainda são minoria na política
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sábado, 07 de março de 2009
Karla Losse Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar das décadas de participação no mercado de trabalho e do desenvolvimento educacional e econômico, as mulheres ainda são minoria no campo político. O resultado das últimas eleições municipais demonstram essa realidade. Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das 1.670 mulheres que concorreram ao cargo de prefeita em 2008 apenas 503 foram eleitas, menos de 10% dos 5.549 prefeitos eleitos.
Nos legislativos municipais, o percentual de vagas ocupado pelas mulheres foi um pouco maior, cerca de 12%. Dos 51.907 vereadores eleitos, 6.498 são do sexo feminino. Já no Congresso, os números caem radicalmente. Foram eleitas em 2006 apenas 4 senadoras entre as 81 cadeiras do Senado. Na mesma eleição, 46 mulheres tornaram-se deputadas federais, entre os 513 parlamentares da Casa. Na administração estadual, três dos estados brasileiros possuem governadoras.
No Paraná, 31 mulheres estão à frente de prefeituras municipais. Apesar do número ser pequeno em relação ao total 399 prefeituras, apresenta um crescimento ao longo das últimas três eleições. Em 2000 foram eleitas 19 mulheres para o cargo, número que subiu para 22 nas eleições de 2004.
Já o número de vereadoras tem se mantido estável. Em 2008 foram eleitas 424 mulheres entre os 3.689 vereadores do Estado. O número é pouco maior do que a eleição anterior que elegeu 405 mulheres. Em 2000, esse número era de 409 eleitas.
De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná
(UFPR), Ricardo Oliveira, a participação feminina apresenta níveis variados no país. Se por um lado pode-se observar um crescimento da participação feminina no âmbito municipal, há um decréscimo dessa participação no Congresso Nacional, explicou. Para ele, a pequena representação no parlamento é contraditória em relação ao desenvolvimento educacional e de renda obtido pelas mulheres nos últimos anos e ao fato de que as mulheres representam mais de 50% do eleitorado. A participação no parlamento não está a altura das outras conquistas obtidas pelas mulheres. Não houve o crescimento esperado nos últimos anos, afirma.
Para o professor, a participação feminina na política ainda é muito marcada pelas relações familiares. A candidatura de muitas mulheres está ligada a suas relações familiares, por serem esposas ou filhas de políticos, disse. Ele observa também que a atividade política feminina é marcada por um comportamento que chamou de síndrome de primeira-dama. Há uma área que se espera que elas trabalhem, como assistência social.
Para a vereadora de Curitiba Noemia Rocha (PMDB), a participação das mulheres na política é dificultada pela mentalidade brasileira e as tradições, que apontam os homens como mais capazes. Para ela, o próprio fato das mulheres não votarem em candidatas também seria cultural. De acordo com Dara Rosa, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, a ausência feminina do mundo político seria fruto de uma cultura machista.
Administração
De acordo com uma pesquisa divulgada na última sexta-feira pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do governo federal, a participação do sexo feminino em cargos de secretarias municipais também é pequeno. O levantamento levou em conta apenas as capitais e conclui que a média nacional é de duas mulheres em cada 10 titulares de secretarias municipais. São 79 secretárias nas 398 secretarias das capitais.
Segundo a pesquisa, Curitiba seria a terceira capital com a menor participação feminina, com apenas uma mulher entre os 18 secretários, a secretária de Educação Eleonora Bonato Fruet. A capital paranaense fica apenas atrás de São Paulo, que teria uma mulher entre os 26 secretários e de Florianópolis, que não tem nenhuma mulher entre as 18 pastas.
Já no governo do Estado, as mulheres estão a frente de cinco das 19 secretarias. Elas administram a secretaria de Administração, de Ciência Tecnologia e Ensino Superior, de Cultura, Educação e da Criança e Juventude. (Colaborou André Amorim)


