Mulheres ainda são minoria na política
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terça-feira, 07 de março de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Setenta e quatro anos depois de concedido o direito de voto às mulheres brasileiras, a participação efetiva da mulher na política ainda fica aquém do desejado. Em uma pesquisa realizada pela União Inter-Parlamentar (UIP), em 187 países, o Brasil ficou em 107º lugar em um ranking sobre a porcentagem de mulheres nas câmaras de deputados.
Apesar do eleitorado feminino ser maior do que o masculino 50,84% contra 48,96% a desproporção na Câmara dos Deputados, por exemplo, ainda é grande. Na eleição de 2002, das 513 cadeiras, apenas 46 (8,96%) foram conquistadas por mulheres. Ainda assim, 15% a mais do que nas eleições anteriores. No Senado, a representação feminina é de 12,34%. ''Pode-se inferir que isso ocorre porque ainda prevalece a dominação masculina, seja na política, seja em todos os setores da sociedade. Tivemos sempre que nos afirmar como profissionais capacitadas e, ao mesmo tempo, nos preocupar com a educação dos filhos e continuar administrando as atividades domésticas. É fácil perceber que uma mulher, no caso a brasileira, sobrecarregada com essa dupla jornada, lida ainda com muitas barreiras para atuar como agente no processo político'', analisou a doutora em Ciências Sociais, Francisca Verginio Soares. ''Outro fator pode ser atribuído à opressão milenar que se abate sobre as mulheres visão de que a política é um ambiente masculino e à falta de condições estruturantes do próprio Estado. Some-se a isso, ainda, a resistência em votar nas mulheres, porque existe muita discriminação, as próprias mulheres têm preconceito contra a participação feminina no poder'', complementou.
Para tentar aumentar a participação feminina nos pleitos, a lei 9.504, de 1997, fixou o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. No entanto, a lei não obriga que os partidos preencham as vagas destinadas para o sexo que tem representação minoritária. Em consequência, nenhum partido cumpriu a cota de 30% na média nacional nas últimas eleições. Em 2004, a média de candidaturas femininas em todo Brasil para as Câmaras Municipais foi de 22% e a porcentagem de vereadoras eleitas ficou em 12%. ''Pode-se afirmar que o sistema de cotas contribuiu para a ampliação do número de candidatas, mas apenas isso não é suficiente. É necessário que haja uma conscientização da sociedade e principalmente das mulheres, no caso as brasileiras que compõem mais de 50% da população, em delegar poder ao segmento feminino porque só assim será possível formar a bancada feminina no processo decisório da Câmara'', afirmou a socióloga.
Para Francisca, mesmo com a baixa representatividade nos parlamentos, as mulheres conseguiram concretizar diversas conquistas. ''A participação feminina no Congresso Nacional concretizou importantes conquistas, como a criação de conselhos de direitos da mulher e delegacias da mulher. Ainda há um longo caminho por trilhar para que haja, de fato, igualdade de oportunidades para as mulheres que, conforme conclusão da 5 Conferência Mundial da Mulher (Beijing, 1995), é condição fundamental para o pleno exercício da democracia'', concluiu.


