Curitiba - A mulher do deputado estadual Ricardo Arruda (PL), Patrícia Miranda Arruda Nunes, e outras três pessoas se tornaram réus sob suspeita de lavagem de dinheiro e concussão em um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete do parlamentar na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná ). A denúncia à Justiça foi feita na segunda-feira (22) pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná) e aceita pela 2ª Vara Criminal de Curitiba. Arruda foi denunciado pelo mesmo caso em 2024. Ele nega todas as suspeitas.

Segundo a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MP-PR, as acusações envolvem crimes praticados entre 2018 e 2023 e os valores desviados chegam a cerca de R$ 132,8 mil. Arruda teria exigido que servidores comissionados repassassem a ele parte de seus vencimentos. Um dos denunciados ainda é assessor da Alep e o MP-PR pediu seu afastamento. Os outros dois não trabalham mais com o deputado.

De acordo com o Ministério Público, em três episódios os valores transferidos por assessores foram utilizados para aquisição de moeda estrangeira, entregue posteriormente em dinheiro a Ricardo Arruda, a fim de dissimular a origem dos recursos. Os repasses também teria sido feitos por meio de cartão de crédito, com o objetivo de custear despesas da mulher do parlamentar. A denúncia inclui ainda relatos de saques em espécie, transferências bancárias e depósitos em contas de terceiros, além de pagamentos de despesas pessoais e transferências para uma empresa ligada ao parlamentar bolsonarista.

O gabinete de Ricardo Arruda na Alep e endereços ligados ao deputado em Curitiba e São Paulo foram alvo de uma operação do Gaeco em outubro de 2023. Os agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão para investigar a suposta prática de “rachadinha” – quando o parlamentar exige o repasse dos salários de seus assessores. Em setembro do ano passado, o MP cobrou do deputado a devolução de R$ 1.045.170,80, que teriam sido obtidos por meio de “rachadinha”.

"ACUSAÇÕES INJUSTAS"

À FOLHA, Arruda negou qualquer irregularidade. Em nota, ele afirmou que as acusações são “inverídicas” e classificou a denúncia como uma “acusações injustas”. “O deputado Ricardo Arruda declara que as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do Gaeco”, diz a nota enviada pela assessoria do deputado.

Ricardo Arruda é réu em outro processo, suspeito dos crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Ele é suspeito de atuar para reintegrar policiais militares excluídos da corporação em troca de dinheiro. O deputado também teria recebido vantagens de um empresário para intermediar o pagamento de um contrato com o governo do Paraná ainda durante a gestão de Beto Richa (PSDB).

O gabinete do deputado na Assembleia e a casa do parlamentar foram alvo de uma operação policial no dia 25 de outubro do ano passado. O Ministério Público citou ao menos cinco casos, que teriam ocorrido entre outubro de 2016 e meados de 2017, de suposto tráfico de influência envolvendo Arruda e seus assessores. Em um dos casos, o deputado teria recebido de R$ 50 mil a R$ 70 mil de um empresário para intermediar o pagamento de contratos durante o governo de Beto Richa (PSDB). O MP citou ao menos cinco casos de suposto tráfico de influência envolvendo Arruda e seus assessores entre 2016 e 2017. O parlamentar nega as acusações.

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