Mulher de Pizzolato não consegue visitá-lo em prisão
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domingo, 09 de fevereiro de 2014
Folhapress 
Modena - Ao tentar visitar Henrique Pizzolato na penitenciária de Modena na manhã de ontem, Andrea Haas disse que seu marido está sereno porque confia que a Justiça italiana é "íntegra" e faz as "coisas certas".
Andrea Haas chegou à penitenciária de Modena às 7h50 (4h50 horário de Brasília), levando uma sacola com roupas, toalha, tangerinas e medicamentos. Levava sob o braço uma pasta amarela.
Ao estacionar o carro, ela foi abordada por jornalistas brasileiros e disse que não responderia perguntas da imprensa.
"Vocês não sabem por quê? Tudo isso é uma grande mentira. Todos os documentos foram apresentados para a imprensa e tiveram a oportunidade de divulgá-los e nunca divulgaram. Só divulgaram mentiras. Por que eu vou falar mais?", disse ela, que se encaminhou à entrada reservada aos visitantes.
Vinte minutos depois, ela deixou a penitenciária sem ter atravessado sequer o setor em que familiares passam pela revista. Ela não explicou porque voltava sem ver o marido.
O acesso à penitenciária de Modena só é possível ao visitante munido de autorização prévia da autoridade judicial.
Quando voltava em direção ao carro, respondeu a uma pergunta de uma jornalista sobre a tranquilidade do ex-diretor do Banco do Brasil relatada por policiais e o advogado que estiveram com ele após sua prisão.
"Deve ser porque a Justiça aqui seja correta, íntegra, que faz as coisas certas. Deve ser por isso que ele estava sereno", disse Andrea Haas.
Na sexta-feira, a Justiça italiana rejeitou o pedido de liberdade provisório feito pelo advogado de Pizzolato e decidiu que ele terá de aguardar o julgamento do pedido de extradição na prisão por considerar que existe risco de fuga.
O ex-diretor do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão. Na última quarta, ele foi preso na casa de um sobrinho em Maranello (norte da Itália). Pizzolato fugiu do Brasil usando documentos falsos em setembro de 2013.
Extradição
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, encaminhou na última sexta-feira ao Ministério da Justiça um pedido feito em novembro pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, para a abertura do processo de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ao encaminhar o pedido, Barbosa disse que caberá ao Ministério Público instruir o processo e preparar toda a documentação necessária para a extradição, como a tradução da decisão de condenação e do mandado de prisão.
O material foi encaminhado ao Ministério da Justiça pois a formatação final do pedido de extradição será dada pela pasta, que ficará encarregada, juntamente com o Itamaraty, de enviar a documentação ao governo italiano.
A decisão de Barbosa, de enviar o pedido feito por Ela Wiecko, acontece pouco tempo depois do Ministério da Justiça e do STF terem se desentendido sobre os trâmites do processo de extradição de Pizzolato.
Na quinta-feira, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) enviou ao STF um ofício informando que Pizzolato estava detido na Itália e perguntava se o STF tinha interesse num pedido de extradição. Na sexta, Barbosa respondeu dizendo que o Supremo não tem papel ativo neste tipo de processo, uma vez que extradições são discutidas entre Estados soberanos.
Após a resposta de Barbosa, o Ministério da Justiça divulgou nota dizendo que, em seu entendimento, caberia, sim, ao STF determinar a extradição. Mas, devido à posição do presidente do Supremo, informou que fechou uma parceria com o Ministério Público, que faria o pedido e o encaminharia para a pasta, que daria o andamento necessário ao processo.


