A Procuradoria Geral de Justiça requereu ontem ao Tribunal de Justiça (TJ) quebra do sigilo bancário de Nicéa Pitta, mulher do prefeito Celso Pitta (PPB), de São Paulo. Nicéa está sob suspeita no inquérito policial aberto em agosto para apurar o envolvimento do seu marido no esquema de operações com títulos públicos para pagamento de dívidas judiciais. O inquérito também busca identificar a origem dos recursos utilizados por Nicéa na compra de um automóvel Vectra em maio de 1996, de R$ 35 mil.
O desbloqueio das informações bancárias da primeira-dama do município e presidente de honra do Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa) foi solicitado pelo procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, em ofício remetido ao desembargador Djalma Lofrano, segundo vice-presidente do TJ.
Andrade Neto considera de ‘‘absoluta relevância à apuração dos fatos a obtenção de dados probatórios essenciais à demonstração da veracidade ou não da alegada origem das importâncias recebidas por Nicéa’’.
Ao prestar depoimento em 5 de junho, Nicéa afirmou que o dinheiro que usou na compra do carro era produto de R$ 150 mil que ganhou por meio de comissão na intermediação de compras de objetos de arte feitas pelo empresário Jorge Yunes. Yunes foi caixa de campanha de Pitta. Ela disse que há cerca de cinco anos fez um curso de decoração e começou a se interessar por obras de arte. Segundo Nicéa, em 1994 conheceu Yunes, ‘‘um colecionador de obras de arte’’.

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