Mulher de Gianoto admite mesada, diz MP
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
A ex-primeira-dama de Maringá, Neusa Gianoto, confirmou ontem ao promotor José Aparecido da Cruz, que recebia mesadas mensais da prefeitura, mas garantiu desconhecer a origem do dinheiro ou mesmo o esquema de desvio. Ela é mulher de Jairo Gianoto (sem partido, afastado) e foi citada no depoimento do ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, no dia 12 de dezembro na Justiça Federal. Segundo Paolicchi, Neusa recebia em torno de R$ 10 mil mensais. No início da administração, disse Paolicchi, o dinheiro era depositado direto na conta dela. Depois Neusa ou alguma funcionária pegava o dinheiro em espécie na secretaria.
Durante quase duas horas em que esteve com o promotor, Neusa pouco acrescentou aos fatos que o Ministério Público já levantou. Acompanhada de um dos advogados de Gianoto, Antônio Mansano Neto, ela disse que a mesada era usada para pagar despesas da família. A ex-primeira-dama garantiu ainda ao promotor que desconhece qualquer desvio que tenha beneficiado o marido. Mesmo porque disse não participar da administração dos bens da família.
Gianoto tem duas fazendas que totalizam cerca de 460 hectares em Nova Mutum (MT), um haras em sociedade com o irmão em Mandaguaçu e um avião bimotor. Os bens, avaliados em cerca de R$ 2 milhões, estão indisponibilizados pela Justiça. Assim como o marido, Neusa se recusou a responder algumas perguntas, cujo teor não foi revelado. O promotor classificou o depoimento de mínimo diante da situação.
A exemplo do marido, Neusa também evitou a entrada principal do MP. O advogado entrou com o carro no estacionamento privativo do prédio, onde funcionam outros órgãos públicos, e os dois foram até a promotoria pela porta dos fundos. Na saída, Neusa e Mansano deixaram o local tranquilos, sem atender à imprensa. Segundo a Folha apurou, ela tem sido hostilizada em locais públicos.
Na próxima semana, com o fim das férias forenses a Justiça Federal retoma o caso e passa a ouvir testemunhas e pessoas citadas no depoimento de Paolicchi. Gianoto deve depor no dia 9 deste mês, mesmo dia marcado para ouvir o ex-prefeito Said Ferreira (sem partido). Os dois foram convocados por serem citados no depoimento de Paolicchi. Caso mantenham o mesmo depoimento que deram ao MP, o juiz Anderson Furlan Freire da Silva pode pedir uma acareação dos dois com Paolicchi.
O ex-secretário é o principal acusado pelos desvios de dinheiro da prefeitura. O valor deve passar de R$ 100 milhões até o final das investigações, que cobrem todo período que Paolicchi esteve na administração, cerca de 15 anos. Preso desde o dia 7 de dezembro, o ex-secretário pediu à Justiça uma auditoria nas declarações do Imposto de Renda, na tentativa de justificar a evolução do patrimônio. Paolicchi tem fazendas, chácaras, aeronaves, veículos e uma mineradora. O patrimônio, que pode chegar a R$ 15 milhões, está indisponibilizado pela Justiça.


