Mulher de ex-deputado revela esquema de corrupção em Foz
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A mulher do ex-deputado estadual Sâmis da Silva (PMDB), Alessandra Fernandes Alves da Silva, 28 anos, assumiu ontem sua porção Nicéa Pitta e fez graves denúncias contra o próprio marido e o genro, Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB), ex-prefeito de Foz do Iguaçu. Meu limite acabou na semana passada quando vi o Sâmis na televisão dizendo que não conhecia o Mandelli (Paulo Mandelli, empresário acusado de ser o Rei dos desmanches de veículos roubados no Paraná). Desde novembro de 98, quando o Sâmis perdeu a reeleição para deputado federal, o Mandelli fazia remessas mensais de dinheiro para a família Silva ou para o presidente do diretório municipal do PMDB, Rui Gulin, relatou Alessandra por telefone à Folha, ontem à noite em Curitiba.
À tarde, ela prestou um depoimento de mais de duas horas e meia na Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Entreguei documentos que comprovam a ligação dos dois (Sâmis e Dobrandino) com o Mandelli, afirmou, sem revelar o teor dos documentos. Alessandra disse que não está agindo por vingança e que fez as denúncias porque cansou de um casamento de aparências. Casada com Sâmis desde setembro de 1991, Alessandra tem um filho de 8 anos com o ex-deputado. Não tenho medo de morrer ou de sofrer ameaças, já que estou agindo sozinha, sem a orientação de nenhum candidato ou partido político.
Ela está separada de Sâmis desde março, mas continua morando em Foz. Alessandra ainda não pediu a separação judicial. Afirmou que não conheceu pessoalmente Mandelli, mas que o marido recebia boas quantias de Mandelli, em dólares ou cheques. Era sagrado. Todo dia cinco vinha o dinheiro que o Sâmis usava para ele ou para a campanha. Segundo Alessandra, no dia 14 de dezembro do ano passado, Sâmis esteve em Curitiba para acertar com Mandelli o financiamento da campanha da família para a prefeitura de Foz. Ele (Sâmis) chegou a receber um cheque de R$ 31 mil do Mandelli, acusou.
O ex-prefeito e o ex-deputado negaram ontem as denúncias. Eles acusam adversários políticos de estarem por trás das denúncias. Segundo Sâmis, que estava tentando uma reconciliação com Alessandra, ela saiu de casa há nove dias sem dar notícias, deixando o filho com ele. Tenho informações de que minha esposa encontrou-se com Sérgio Spada (deputado estadual pelo PSDB) e Amauri Escudero (jornalista e ex-assessor de Spada) lá em Curitiba para armar este esquema contra nós, disse o ex-deputado, referindo-se aos velhos adversários políticos do pai.
Esta mulher foi à capital com a promessa de ganhar R$ 20 mil para armar esta confusão contra a gente. Ela morava no mesmo prédio onde vive o Carlos Budel (presidente do PTB em Foz e pré-candidato a prefeito) e marcou encontros com nossos adversários, acusou Dobrandino. Scudero e Spada negaram as acusações. Budel não foi localizado ontem. (Colaborou Emerson Dias)


