Mulher de Beira-Mar recua
Agência Estado
De Rio de Janeiro
Apontada pela polícia como responsável pela compra de drogas na quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Alda Inês dos Anjos Oliveira prestou depoimento ontem à juíza Therezinha Avellar, da 1ª Vara Criminal de Caxias. Segundo seu advogado, José Rodrigues de Jesus, ela desmentiu todas as informações que constavam do depoimento prestado ao Ministério Público Estadual na semana passada, no qual estava detalhado o esquema de venda de cocaína do grupo.
Jesus garantiu que sua cliente assinou um depoimento previamente preparado, sem ler, porque teria sido coagida pelo MPE. Constrangida, é mole de assinar, disse o advogado. Caindo em contradição, no entanto, ele admitiu que ela esteve no MPE das 10 horas de quarta-feira até as 3 horas da madrugada de quinta mas teria se limitado a dizer que só falaria em juízo.
Ontem, segundo ele, Alda apenas disse à juíza que foi namorada de Beira-Mar há três anos, por um período de dez meses. Jesus garantiu que ela não tem ligação com o tráfico, é casada, tem um filho, estuda e trabalha. Ela não sabia de nada, até porque Beira-Mar não ia passar seus negócios para a amante, garantiu. Apesar das acusações ao MPE, Jesus disse que não vai entrar com nenhuma medida judicial.
Por questões de segurança, Alda foi ouvida na Companhia Especial de Policiamento de Trânsito (Ceptran), onde está presa desde domingo. A expectativa era que ela fornecesse novas informações, além daquelas que constam do depoimento do MPE. Naquela ocasião, na qualidade de informante, Alda revelou que a cocaína negociada pelo grupo de Beira-Mar seria originária do Cartel de Medelín, na Colômbia, de onde era enviada ao Paraguai. Nesse local, seria comprada pela quadrilha e seguiria para a Europa e para o Rio de Janeiro. Alda informou que o principal mercado da quadrilha no exterior era a Suíça.
Ela disse ainda que Beira-Mar teria nove identidades falsas fornecidas por um deputado estadual. O traficante financiaria campanhas eleitorais de um vereador de Caxias e manteria contato frequente com um outro deputado estadual, do Paraná.





