Ramallah, CisjordâniaWafa Idris, que com 28 anos se converteu na primeira palestina que cometeu um atentado suicida, era ‘‘tranquila, alegre e valente’’, afirmaram familiares, amigos e colegas. Reunidos na casa do acampamento de refugiados de Al Amari, perto de Ramallah (Cisjordânia), para assistir ao funeral simbólico de Wafa, seus parentes a recordaram como uma mulher cheia de iniciativa.
Voluntária do Crescente Vermelho, Idris fez explodir a 27 de janeiro passado em plena Jerusalém Oeste explosivos que carregava matando um israelense e ferindo dezenas de pessoas.
Seus restos mortais continuam em posse das autoridades israelenses, indicou a família.
Seu irmão Khalil, 39 anos, reconheceu que ‘‘Wafa tinha um caráter de combatente e gostava da ação revolucionária’’. ‘‘Não me surpreende que Wafa tenha praticado esta ação heróica’’, acrescentou, precisando que se tratava de uma mulher valente. ‘‘Tinha sido atingida por balas israelenses mais de uma vez, mas era uma das poucas pessoas que se atreviam a se aproximar de um tanque israelense para salvar um ferido’’, afirmou.
Uma das amigas da mulher-bomba, Jihad Hbub, uma puericultora de 30 anos, compartilha sua opinião, estimando que Wafa era ‘‘ativa e gostava da luta’’.
Familiares e vizinhos da jovem palestina frisaram que exercia atividades de voluntária no acampamento de Al Amari desde 1987. Segundo o Crescente Vermelho, destacava-se pela tranquilidade,jovialidade e pontualidade. O Crescente Vermelho teme que o exército israelense dificulte, agora, seu trabalho nos territórios palestinos.
Domingo 27 de janeiro, tinha saído de ‘‘casa às 9 horas, rindo, sem se despedir de ninguém’’, comentou sua mãe Wasfiya Idris, de 75 anos. ‘‘Entretanto, demorou para voltar e pressenti que uma desgraça tinha ocorrido. Disse aos meus filhos: sua irmã está morta, mas não acreditaram’’, acrescentou, com certa amargura no rosto.
O pai de Wafa morreu em 1985.
Tinha três irmãos, Khaled, Sultan e Khalil, e uma irmã, que reside nos Estados Unidos. Khalil é um dirigente local do movimento do presidente palestino Yasser Arafat, Al Fatah, e foi detido por Israel durante a primeira Intifada (1987-1993).
Wafa estava divorciada e não tinha filhos.

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