Em seus onze primeiros dias como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Marco Aurélio Mello já promoveu mudanças radicais a ponto de despertar sentimentos de amor e ódio. Nesse período, afastou aposentados que ocupavam cargos de confiança no tribunal, suspendeu o pagamento de parte de um reajuste aos servidores e instituiu que os julgamentos plenários começarão pontualmente às 14 horas. ‘‘Os tempos são outros: ninguém mais é dono desse tribunal’’, disse um ministro.
As medidas, nem um pouco simpáticas a quem defendia a manutenção de velhos hábitos do Judiciário, agradaram parte dos do Supremo, do Judiciário e do funcionalismo. Mas essa forma de atuação também tem provocado críticas de uma oposição irritada. De acordo com um assessor, falta ‘‘jogo político’’ a Marco Aurélio assim como teria ocorrido com seu primo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Mas um integrante do Supremo disse que simpatiza com o perfil de Marco Aurélio. ‘‘Quando ele não gosta de uma coisa, fala na cara da pessoa, não é falso’’. A situação se complicou há um mês, quando ele desagradou o ministro decano da Corte, Moreira Alves. Diante da decisão do novo presidente de afastar os aposentados dos cargos de confiança, Moreira Alves pediu que ele mantivesse o médico reumatologista Célio Menicucci na secretaria de serviços integrados de saúde do tribunal.
De acordo com uma pessoa que assistiu à cena, Marco Aurélio teria dito: ‘‘Vamos ver’’. E teria virado as costas. ‘‘Esse foi o grande erro dele’’, avaliou o assessor. Além de ter de administrar esse problema político, Marco Aurélio terá de conviver com uma ala de ministros do Supremo irritada com a sua decisão de começar pontualmente às 14 horas as sessões plenárias de julgamento. Antes de sua posse, os ministros entravam para as sessões meia hora atrasados.

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