Mudanças agitam líderes em Brasília
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 1997
Agência Estado De Brasília 
Arquivo FolhaDisputaOs parlamentares se mobilizam para garantir vagas no Ministério de Fernando Henrique Cardoso O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá mesmo esperar a votação do primeiro turno da reforma administrativa na Câmara para então iniciar as mudanças no Ministério. Ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Fernando Henrique já havia garantido que não iria mexer nos ministérios antes desse prazo. Dessa forma, o governo evitaria que descontentamentos afetassem a votação e ganharia tempo, enquanto tenta conter os ânimos dos aliados PFL, PSDB e PMDB que travam uma guerra de bastidores por mais espaço no governo.
O presidente ainda não está certo de certas mudanças e o melhor caminho é aguardar que os fatos se acomodem por si só, comentou uma liderança muito próxima de Fernando Henrique. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o ex-presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), estão à frente das negociações para conseguir um saída digna do deputado Benito Gama (PFL-BA) da liderança do governo na Câmara, posto que tornou-se objeto de desejo do PSDB.
Os tucanos cobram de Luís Eduardo Magalhães a promessa que teria feito com o PSDB do Senado na ocasião da disputa pela presidência daquela Casa. Em troca do apoio tucano à candidatura de seu pai, Antônio Carlos, Luís Eduardo se comprometera em encontrar uma fórmula para repassar a liderança do governo na Câmara ao PSDB. Como a disputa pelo cargo veio a público e levou a uma cena explícita de agressões verbais entre Benito Gama e o tucano mais interessado em sucedê-lo, o líder do partido José Aníbal (SP), tudo mudou.
No mesmo dia em que Benito Gama atribuía a uma molecagem de Aníbal os boatos de que ele já estava praticamente fora do cargo, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, lembrava com alguns tucanos a promessa feita por Luís Eduardo. O ex-presidente da Câmara nega que tenha feito qualquer compromisso. O dia em questão foi o da votação em segundo turno da reeleição. O Benito acabou criando um constrangimento em expor a situação daquela maneira e ficar brigando por um cargo que é do presidente da República, avaliou um líder governista. Ele evitou sua saída no momento, mas complicou a situação para o presidente.
Para entregar o cargo ao PSDB, o PFL não quer menos que um Ministério. De preferência, algum que responda por desenvolvimento regional. A solução para acomodar o partido poderá vir ainda de um acordo com o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Inocêncio tem insistido com alguns amigos que não quer deixar a liderança pefelista para ocupar um ministério. Esta hipótese, porém, não está descartada e seria a ideal para acomodar Benito Gama na vaga deixada por Inocêncio.
Enquanto isso, as bancadas do PMDB no Senado e na Câmara disputam entre si os dois ministérios reservados ao partido - dos Transportes e da Justiça. No páreo para ocupar a pasta dos Transportes está o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), mas a vaga deverá ficar com o grupo de Michel Temer, que trabalhou duro para garantir a emenda da reeleição de Fernando Henrique e conta agora com esse crédito no Palácio do Planalto. Para qualquer um dos dois ministérios, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) tem o apoio de Michel Temer, que também não criará problemas se a oferta do Planalto vier para o deputado Aluízio Nunes Ferreira.
Com a saída do ministro da Justiça, Nelson Jobim, a bancada gaúcha do governador Antônio Britto está certa de que manterá uma vaga na equipe de Fernando Henrique, mas o PMDB mineiro já pleitea um lugar no Ministério. O deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), que chegou a ser cotado para os Transportes, não empolgou a bancada. Alguns peemedebistas acreditam ainda que o Ministério dos Assuntos Políticos poderá entrar na ciranda da reforma ministerial não pela desistência do ministro Luiz Carlos Santos (PMDB-SP) de continuar atuando no Executivo, mas por seu interesse em se mudar para o Ministério dos Transportes.


