Mudança na escolha de diretores volta à pauta
Curitiba - Começa a tramitar nos próximos dias, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o projeto que modifica a forma de escolha dos diretores e vice-diretores das 2,1 mil escolas da rede pública estadual. A questão foi alvo de polêmica no fim de 2014, quando a base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) conseguiu aprovar a prorrogação dos mandatos, adiando em um ano a eleição, até então prevista para ocorrer em 26 de novembro. Na época, a justificativa foi de que o Executivo utilizaria o tempo extra para "aprimorar" os critérios.
O presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), pretendia ler a mensagem ainda na sessão de ontem, o que acabou não ocorrendo. A expectativa, porém, é de que em breve o texto seja levado ao conhecimento dos demais deputados. Segundo o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), as principais alterações previstas são a "universalização" do voto e a "qualificação dos candidatos". Hoje, a exemplo do que acontece na maioria das universidades, uma fórmula estabelece pesos, de 33% cada, para grupos de pais, estudantes com mais de 16 anos e professores/funcionários. O pleito geralmente ocorre de três em três anos.
"A ideia é que você tenha uma representatividade grande de quem vai poder ser candidato, pensando no interesse da comunidade escolar", afirmou o peemedebista. Ou seja, a chapa vencedora seria aquela com o maior número absoluto de apoiadores. Ele também explicou que os concorrentes teriam de fazer uma especialização em gestão, um curso de administração ou algo equivalente. Outra medida da chamada "meritocracia escolar" é permitir que diretores tenham seus mandatos renovados automaticamente, por mais dois anos, caso atinjam metas pré-definidas.
O líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), concordou que o formato atual cria algumas distorções. Entretanto, defendeu um "meio-termo". "Se tivermos o voto censitário, pode haver disputas muito mais voltadas à eleição e ao cargo especificamente do que aos interesses da comunidade; por exemplo, um diretor com uma relação populista ser indicado não porque os seus colegas entendam que ele deva representá-los, e sim porque fez uma campanha quase equivalente à de um vereador", opinou.
A votação do ano passado, quando ainda vigorava o popular "tratoraço", que apressava a tramitação de mensagens, aconteceu em meio a bate-bocas com educadores. Quatro deles chegaram a ser agredidos por seguranças da AL. Desta vez, contudo, Tanto Romanelli como Traiano garantiram que haverá tempo suficiente para um debate tranquilo. "É lógico que a Casa dará abertura para toda e qualquer discussão necessária na Comissão de Educação e depois no plenário", disse o tucano. (M.F.R.)





