A disputa pelo primeiro escalão da Prefeitura de Londrina tem provocado confusão. Ontem à tarde, um grupo de funcionários da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) paralisou as atividades para protestar contra a indicação de Rafael Fuentes, atual diretor de manutenção e serviços da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), para a presidência da autarquia.
Fuentes deve substituir o ex-presidente da AMA, Otávio Yassuo Shimba, exonerado ontem do cargo juntamente com os diretores Cíntia Laia dos Reis e Silva Pupio e Flávio Henrique da Rosa Urem. ‘‘Uma pessoa ligada à Comurb nós não aceitamos. O que está acontecendo é manobra de alguns vereadores’’, criticou o servidor Geraldino Batista Nascimento.
Segundo ele, a reclamação não foi estimulada pela ex-presidente da AMA, Sandra Graça, candidata à uma cadeira na Câmara e que está a frente de manifestações de apoio ao prefeito afastado Antonio Belinati (PFL). ‘‘Não temos grupo político, nem orientação, nem da Sandra Graça nem de ninguém. Não dá para misturar as coisas’’, despistou.
O chefe de gabinete da prefeitura, João Scaff, chegou a ir pessoalmente à sede da AMA, no Parque Arthur Thomas, falar com os manifestantes. Ele disse que levaria o pedido ao prefeito interino Jorge Scaff (PSB) mas adiantou que dificilmente o nome de Fuentes não será confirmado. ‘‘Se a pessoa vier para cá e tratar de interesses da Comurb, aí sim cabe uma reivindicação. Mas acho que existe uma certa precipitação’’, disse.
A disputa por espaço na administração teve lance decisivo domingo de manhã, na Câmara, quando alguns vereadores barraram a indicação do nome do engenheiro Marcelo Paulino para a presidência da AMA. A reunião contou com a presença de Scaff. Paulino é sobrinho do deputado estadual Moysés Leônidas (PDT) e ligado ao ex-presidente da AMA, Rubens Canizares – que seria candidato a vereador.
Com a resistência dos vereadores, a indicação caiu sobre Fuentes, funcionário de carreira do Iapar e diretor da Comurb. ‘‘Na verdade, fui indicado mas ainda não tive o convite oficial do prefeito. Se for para acontecer, estamos preparados, vamos aceitar’’, disse ele, acrescentando que sua indicação partiu de um grupo de vereadores comandado pelo presidente do Legislativo, Flávio Vedoato (PL).
Outro novo nome da administração revelado ontem foi o de José Carlos de Castro Costa, o Zé Café, presidente do Londrina Esporte Clube (LEC). Ele deve assumir a superintendência da Autarquia de Serviços Funerários (Acesf) no lugar de Marcos Colli, também exonerado ontem. ‘‘Recebi o convite do próprio prefeito e agora estou na expectativa, aguardando a confirmação.’’ Zé Café foi indicação do vereador Célio Guergoletto (PMDB), também é dirigente do LEC. ‘‘Sugeri o nome dele porque é uma pessoa com capacidade e tem muito a contribuir. Não houve imposição’’, disse Guergoletto.
Além dos diretores da AMA e da Acesf, também foi exonerado o subprefeito de Maravilha, Adilson Fernando Siena, irmão do prefeito de Tamarana, Édison Siena. João Scaff afirmou que outras mudanças no secretariado irão acontecer, mas não afirmou em quais pastas. Uma das alterações definidas é na secretaria de Ação Social, hoje ocupada por José Dorival Perez, que acumula a Secretaria de Educação. ‘‘Os dois cargos estão pesando muito’’, alegou Perez.

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