As alterações na lei eleitoral aprovadas anteontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado são casuísticas, em benefício da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A avaliação é do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Segundo ele, as regras para as eleições do próximo ano, que ainda têm de ser votadas pelo plenário do Senado e passar novamente pelo aval da Câmara, vão interferir na decisão sobre sua candidatura ao governo estadual ou à Presidência. Da forma como está, a lei prejudica principalmente a segunda opção.
‘‘O presidente poderá ser beneficiado porque ele tem ações positivas no seu governo’’, disse Maluf (foto) ontem, após visita à cidade de Uru, na região de Bauru. ‘‘O governador Mário Covas (PSDB), porém, jamais será beneficiado por essa lei, na forma como ela foi aprovada pela CCJ, porque ele é o pior governador que São Paulo já teve’’, atacou. O ex-prefeito espera que os ‘‘excessos’’ da legislação sejam corrigidos pela Câmara. Entre estes aponta a permissão para que os chefes do Executivo façam pronunciamentos oficiais em cadeia de rádio e televisão às vésperas da eleição, bem como participar ‘‘de todas as inaugurações possíveis’’.
Maluf acusou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-BA), relator da lei eleitoral na CCJ e que propôs as alterações, de haver praticado um ato ‘‘bajulatório’’. ‘‘Não acredito que o presidente precise desses excessos’’, disse o ex-prefeito. ‘‘Eles vão, na realidade, prejudicar a imagem do governo, mais do que beneficiar Fernando Henrique.’’
Maluf fez campanha em Borborema: ‘‘Candidato a governador, venho, de peito aberto, dizer que fiz e posso fazer ainda mais por Borborema.’’ O prefeito da cidade, Ribamar de Souza Batista (PMDB), pediu que Maluf asfaltasse a estrada que liga o município à cidade vizinha de Itajobi. ‘‘Está atendido’’, respondeu o pepebista. Mais tarde, Maluf consertou a afirmação de que é candidato a governador. ‘‘Se eu falei candidato a governador ou foi um ato falho ou falei na possibilidade de também ser candidato a governador.’’ A decisão final entre disputar a sucessão federal ou estadual, segundo ele, só sairá em janeiro.

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