Apenas cinco dos 21 vereadores de Maringá conseguiram se reeleger, alcançando uma surpreendente renovação de 77%. O vereador José Maria dos Santos (PSD), que obteve 1.805 votos e ficou no cargo tem uma explicação. Ele acha que os vereadores que foram para a Assembléia, que tentaram outro cargo na eleição ou desistiram, eram os melhores de voto. ‘‘Se todos tentassem, teríamos pelo menos 12 nomes mantidos’’, afirma. ‘‘O voto na mudança registrado no Executivo é desespero, mas para vereador não acho que seja.’’
Para o professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Antonio Ozai, a renovação surpreendeu, apesar de todo processo eleitoral garantir alguma mudança no Legislativo. ‘‘Os vereadores têm agora que fazer um balanço do desempenho para ver onde erraram’’, aconselha. Ele acredita que o apoio da maioria da Câmara ao Executivo pesou na decisão do eleitor. ‘‘Por outro lado, existia muita opção entre os mais de 200 candidatos’’, lembra ele.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Estabalecimentos de Esino de Maringá, Almir Carvalho de Oliveira, acha que a renovação representa um processo de conscientização do eleitor. ‘‘A corrupção envolvendo políticos e a falta de respeito com o povo está mostrando o resultado nas urnas’’, acredita. Ele cita Maringá como ‘‘exemplo da mudança’’. ‘‘O abuso do poder econômico e das promessas irreais levaram ao resultado da eleição’’, diz.
A eleição do comerciante Altamir Antônio dos Santos (PST), que fez 1.751 votos, foi outra surpresa. Há 10 anos, ele deixou um sítio em São Jorge do Patrocínio para tentar a vida em Maringá, num mercadinho no Conjunto Ney Braga. Depois assumiu a associação de moradores do bairro, que tem cerca de 1,2 mil famílias. O pouco apoio do partido levou Santos a percorrer 11 bairros. ‘‘Somava os apoios e calculava 150 votos em cada bairro, mas tive votos em outras regiões da cidade’’, compara. Sem nunca ter assistido a uma sessão da Câmara, ele espera primeiro ajudar os bairros.

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