O professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci diz que o modelo de voto distrital é interessante "em tese", mas vê com receios a proposta porque os parlamentares poderão se tornar "donos do partido" em suas regiões, além de uma institucionalização do curral eleitoral.
Ao avaliar a proposta do senador José Serra (PSDB-SP), o especialista recorda que a fragilidade existente na criação dos partidos leva os nomes mais fortes ou mais endinheirados a "comprarem" a vaga de candidato e o modelo distrital pode fortalecer essa prática. Cenci também tem o receio do fortalecimento da figura do cacique político, já que ficará bem definida sua área de votos, ao invés da cidade toda.
Ele também vê com estranhamento a proposta afetar apenas os vereadores das maiores cidades e não de uma forma mais ampla.
Cenci é a favor de uma reforma política nos moldes que é proposta por entidades da sociedade civil como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Do modo como está no projeto de lei, vai mudar apenas a forma de eleger, mas não vai afetar a conduta dos políticos", diz.
Para ele, a primeira coisa a ser combatida é o financiamento provado das campanhas por empresas, que são vistas como investimentos em troca de benesses ou de atuação parlamentar baseada nos interesses desses grupos. "É a primeira coisa a ser combatida. Mas a reforma política tem de passar pelos partidos, que são de mentira, e pela cultura política brasileira", afirma. (L.F.W.)

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