São Paulo - ''A Teologia da Libertação pode ser revigorada, dependendo de quem for eleito, pela esperança que a Igreja der aos pobres na estrutura neoliberal que o mundo vive'', prevê o padre Márcio Fabri, professor de Teologia Moral na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção e do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo. Apenas uma questão de enfoque, pois essencialmente o conteúdo será o mesmo.
Na avaliação de Fabri, os teólogos da Libertação mantêm acesa a chama do ideal de fazer teologia a partir da causa dos pobres, embora tenham deixado de produzir textos que lhes davam projeção na Igreja e na mídia. ''A Teologia da Libertação continua viva enquanto proposta de que é preciso viver a fé com base na realidade'', observou o professor da Faculdade Nossa Senhora da Assunção, antigo Seminário Central do Ipiranga.
Fabri adverte que é preciso analisar a Teologia da Libertação em dois planos. ''Na hierarquia, essa tendência sofreu restrições por parte daqueles que defendiam uma Igreja forte e centralizada para enfrentar fraturas da modernidade, porque viam na Teologia da Libertação uma ameaça''.
Em outro plano, os teólogos conseguiram, apesar da repressão, construir uma comunidade cristã que luta e busca novos caminhos. Significa a vivência na prática de uma teoria que supostamente deixou de ser ameaça nos últimos 15 anos, com o fim do socialismo real. A hierarquia, que por orientação de Roma, tentava refrear o movimento, achou que, a partir da queda do Muro de Berlim, ele passava a ser um modelo sem futuro.
A censura e cassação dos principais teóricos da Libertação se refletiram na pastoral e em outros setores da Igreja. Os seminários, por exemplo, foram orientados a dar mais ênfase à liturgia e aos sacramentos, em vez de preocuparem tanto com os excluídos na linha de opção preferencial pelos pobres. A nova geração de religiosos sabe pouco sobre a teoria.
''A Teologia da Libertação está firme e forte'', afirma o sociólogo Pedro Assis Ribeiro de Oliveira, professor da Universidade Católica de Brasília. ''Os teólogos incorporaram temas novos, como a questão da mulher e das minorias'', disse Oliveira. Em sua opinião, o pontificado de Karol Wojtyla enfraqueceu o movimento, que poderá ter novo alento com a eleição do futuro papa.

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