Múcio assume ministério de olho na votação da CPMF
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Das agências 
Brasília - Na primeira manifestação pública depois de ser apresentado, no Palácio do Planalto, como substituto de Walfrido Mares Guia no Ministério das Relações Institucionais, o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), deixou claro que a tarefa óbvia e imediata é uma só: aprovar a CPMF. ''É um desafio que já experimentamos na Câmara e, tenho absoluta certeza, os senadores, sensíveis e comprometidos com o desenvolvimento do País, têm consciência de que precisa ser aprovada'', ressaltou o novo ministro.
''A despeito da disputa política e dos limites das fronteiras partidárias, o que conta é o País, o que conta é a responsabilidade que cada um tem na construção de um Brasil maior ou mais justo.''
Segundo ele, a saída de seu partido, PTB, do bloco governista no Senado não ameaça a aprovação da proposta. A bancada do PTB no Senado se desligou ontem do bloco de apoio ao governo na Casa e decidiu que irá atuar de forma independente na votação da emenda que prorroga a CPMF por mais quatro anos e nas demais proposições. O partido tem sete votos, dois deles - dos senadores Mozarildo Cavancati (RR) e Romeu Tuma (SP)- já declarados contra o chamado imposto do cheque. Na prática, o PTB continuará na base de apoio do governo, mas não se submeterá mais as orientações do bloco, o que obrigará o Planalto a negociar com o partido em cada votação.
''O que aconteceu no Senado foi parecido com o que ocorreu na Câmara. O PTB não rachou com o governo, saiu do bloco. Com o tempo, os líderes partidários querem ter mais independência'', disse ele.
Foi o próprio Múcio quem informou, em rápida entrevista concedida no Palácio do Planalto, que o deputado Henrique Fontana (PT-RS) será o novo líder do governo na Câmara. O deputado petista foi um dos que mais se destacaram na defesa do governo durante as investigações, em 2005, do escândalo do mensalão na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios.
Pelo menos dez parlamentares da bancada petebista assistiram ao comunicado da troca de comando nas Relações Institucionais. O Diário Oficial publicará hoje a demissão de Mares Guia, a pedido - ontem ainda não havia data para solenidade de posse de Múcio. Havia uma dúvida sobre se a saída de Mares Guia do cargo de ministro seria apenas um afastamento temporário ou exoneração.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lamentou a saída de Mares Guia: ''do ponto de vista pessoal, eu lamento. É um grande quadro e um amigo.''
Temporão disse que a batalha pela aprovação, no Senado, da emenda constitucional que prorroga até 2011 a vigência da CPMF continua. ''A não-prorrogação é o pior dos cenários possíveis, mas estou confiante. Temos tempo'', afirmou o ministro, ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de a renúncia de Mares Guia complicar ainda mais a votação da emenda no Senado. Constrangido, Múcio disse que não tinha motivos para comemorar sua nomeação. ''Não há motivos para festas.''


