MTA perde contrato, é multada e ameaça abandonar Correios
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Karla Mendes e Leandro Colon<BR>Agência Estado 
Brasília - Personagem da crise que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra, a empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA) caminha para fechar as portas e abandonar os contratos que tem com os Correios. Desde 27 de setembro, E tem sido multada diariamente por causa disso. Não tem dinheiro para combustível e começa a procurar fornecedores para fazer acordos.
O empresário argentino Alfonso Rey, dono oculto da empresa, já disse aos diretores no Brasil que, se a situação financeira piorar, pretende retirar do Brasil os aviões que alugou para a MTA funcionar. O peruano Orestes Romero, que dirigia a empresa no País, foi para o exterior desde o início da crise e não voltou mais.
Na semana passada, a MTA perdeu na Justiça o contrato de R$ 44,9 milhões que havia ganho com uma liminar. Na verdade, ela venceu a licitação em julho, mas não entregou documentos no tempo exigido. Foi desclassificada e recorreu à Justiça, onde garantiu uma liminar.
Enquanto o negócio estava sendo decidido pela disputa judicial, os Correios fizeram um contrato emergencial de R$ 19 milhões com a própria MTA e com vencimento em novembro. Agora, com a derrota na Justiça, a empresa perdeu esse contrato emergencial e deixou de ter o contrato de R$ 44,9 milhões, que passou a ser operado pela Rio Linhas Aéreas. A linha licitada é uma das mais estratégicas para os Correios, porque representa 13% do valor total da malha e 14% da capacidade de carga contratada.
Pregão diário
Desde maio, a empresa já vinha sendo multada por atrasos na operação das linhas. Até agosto, teve pelo menos R$ 1,1 milhão aplicado em multas. Nesse montante, ainda não estão contabilizadas as penalidades aplicadas em setembro e outubro, meses em que a situação ficou crítica - antes de executar as multas os Correios dão direito de defesa à empresa.
''A MTA começou a falhar. Ela não vai aguentar'', admitiu o presidente dos Correios, David José de Matos. Para resolver emergencialmente as falhas na atuação da MTA, estão sendo contratados diariamente espaços disponíveis em aeronaves de outras companhias por meio de pregão eletrônico. Sem o contrato emergencial de R$ 19 milhões, a MTA ficou com três contratos que somam R$ 40 milhões.
A MTA está Um filho dela, Israel, fez lobby e cobrou propina para ajudar a empresa dentro do governo.
O nome da MTA apareceu pela primeira vez no cenário político em 29 de agosto, quando o Grupo Estado revelou que o então diretor de operações da estatal, o coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, dirigiu nos últimos anos a empresa contratada pelo governo. O coronel pediu demissão em 20 de setembro, depois de o Estado revelar que ele é testa de ferro do argentino Alfonso Conrado Rey, um empresário que mora em Miami, verdadeiro dono da MTA.
O advogado da MTA, Marcos de Carvalho Pagliaro, disse que a empresa vem passando por dificuldades financeiras, mas afirmou que a companhia continuará operando os outros contratos vigentes com os Correios.


