MST vai levar sem-terra para o 7 de Setembro
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segunda-feira, 05 de setembro de 2005
Das agências 
Sorocaba (SP) - Acabou a tolerância do Movimento dos Sem-Terra (MST) com a falta de ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor da reforma agrária. Depois de analisar os dados mais recentes do Incra sobre o número de famílias assentadas este ano, o movimento decidiu colocar o presidente como alvo principal das manifestações que realiza, a partir de amanhã, em todo o País. A jornada de lutas do chamado ''setembro vermelho'' vai incluir marchas, atos de protesto e invasões.
Na quarta, os sem-terra e outros integrantes do Grito dos Excluídos vão à Esplanada dos Ministérios fazer um protesto no mesmo horário das comemorações oficiais do 7 de Setembro, com a presença do presidente. ''O governo Lula termina no ano que vem e os dados que temos são tão ruins quanto do período de Fernando Henrique Cardoso'', disse ontem o coordenador nacional e porta-voz do movimento João Paulo Rodrigues. As ações são consideradas ''de caráter político'', segundo Rodrigues, pois têm como objetivo para pressionar o governo a desapropriar terras e assentar famílias.
Em mensagem distribuída ontem pelas comemorações de Sete de Setembro, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) defende uma ''profunda'' reforma política e afirma que a experiência de participação popular não pode ser perdida pela ''ação nefasta de políticos que buscam o poder e vantagens pessoais a qualquer custo''. Assinada pela cúpula da entidade, a nota diz que o Brasil vive momentos de grande sofrimento e que a crise está levando o povo ao descrédito da ação política.
''A democracia não subsiste à corrupção'', afirma. Lembra ainda que as instituições estão sendo duramente atingidas, já que a ''cultura da corrupção, alimentada por corporativismos históricos, tem utilizado estruturas de poder para benefício próprio, substituindo debate de idéias por projetos de poder''.


