Os conflitos por causa das invasões de terra vividos no Estado nos últimos dias prometem acirrar ainda mais o relacionamento político entre dois deputados do Paraná, na volta das atividades na Câmara Federal, logo após o Carnaval. Padre Roque Zimmermann (PT), defensor da causa dos sem-terra, disse ontem que está articulando a reabertura de um processo interno contra o representante dos ruralistas, Abelardo Lupion (PFL), sob a acusação de estar, através de suas declarações, incitando o armamento dos fazendeiros.
‘‘Apesar de saber que cachorro não come carne de cachorro, vou tentar retomar o caso’’, declarou Zimmermann, numa referência às dificuldades de seus companheiros de Congresso aprovarem a retomada da representação, protocolada pelos deputados do PT, Fernando Ferro (PE) e Geraldo Pastana (PA), em setembro de 97, contra Lupion e arquivada pelo corregedor da Câmara Federal, deputado Severino Cavalcante (PPB-PE). Os parlamentares alegaram à época o mesmo que padre Roque afirma hoje: ‘‘O (Abelardo) Lupion está incentivando o confronto no campo’’.
O petista diz ter ficado ‘‘estarrecido’’ com as manifestações de Lupion pela televisão e rádio nos últimos dias. ‘‘Ele está enlouquecido. Prega descaradamente o armamento e a violência contra os trabalhadores sem-terra no campo’’, avalia. Padre Roque amplia a questão e diz que mais que a reeleição, o deputado do PFL está a serviço do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ‘‘Ele está falando tudo o que o presidente quer ouvir. Lupion está a serviço’’, acusa.
A reação do ex-líder da União Democrática Ruralista (UDR) à ameaça de reabertura de processo contra suas manifestações públicas foi imediata. ‘‘Eles (o PT) levaram pau na Câmara e agora acham que podem ressuscitar um absurdo destes. Tenho imunidade parlamentar. Eles é que devem se cuidar e controlar a língua, porque não sou eu quem invade, saqueia, sequestra crianças ou mata trabalhadores rurais’’, ameaçou.
Lupion consolidou sua antipatia junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quando comparou o movimento ao grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso. ‘‘Eles fazem o mesmo aqui no Paranᒒ, reforça. O deputado diz que não vai se intimidar com as ameaças do padre Roque. ‘‘Não vou me curvar a esta palhaçada em que querem transformar a reforma agrária. Chega de omissão. Os produtores podem se defender dos sem-terra. Estão amparados pelos artigos 502 do Código Civil e pelo 5º da Constituição Federal, que assegura o direito à propriedade’’, prega.
O deputado informa ainda que comandará em março uma mobilização nacional em defesa das propriedades invadidas. ‘‘Será o Acorda, produtor rural’’, disse ontem Lupion. Segundo ele, o setor dará respostas nas urnas em 98. ‘‘Temos um milhão de votos, somos 300 mil produtores rurais com o direito aviltado. Daremos o troco àqueles que querem nos interpelar judicialmente. São traiçoeiros, e vamos trucidá-los’’, frisa.

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