MST protesta e libera pedágio em seis praças
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segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram invasões ontem em seis praças de pedágio no Paraná. As ocupações começaram às 7h30 da manhã e atingiram as praças de Arapongas, Mandaguari e Castelo Branco, administradas pela Viapar, Mauá da Serra, da Rodonorte, além de Cascavel e São Miguel do Iguaçu, da Rodovia das Cataratas.
As invasões duraram até as 17 horas, quando os sem-terra retiraram-se espontaneamente. Durante o período em que as praças ficaram ocupadas, as cancelas foram liberadas pelos sem-terra e os veículos puderam movimentar-se livremente. O incidente mais grave foi registrado em Castelo Branco, onde as câmeras de fiscalização da Viapar foram depredadas.
Segundo Francisco Assis, integrante da coordenação estadual do MST no Paraná, as ocupações foram uma maneira de chamar a atenção do governo e da sociedade para a questão fundiária. Os sem-terra cobram a promessa do governo Lula de assentar mais de 400 mil famílias em seu mandato, além de cobrar linhas de crédito especiais para os assentados, recursos para a agroindústria, cestas-básicas para assentados e liberação de recursos para o Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Apesar das praças de pedágio não estarem sobre a administração direta do governo federal, mas sim delegadas ao governo do Estado, Assis acredita que elas representem o modelo econômico contra o qual o MST se inssurge. ''O pedágio é um símbolo do modelo econômico perverso e de exploração a que estamos submetidos. Além disso, o pedágio prejudica o escoamento da atividade agrícola no Estado'', afirmou Assis.
O presidente estadual da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) João Chiminazzo Neto, lamentou ontem as invasões e criticou o governo do Estado. ''Essas invasões são incompreensíveis, porque a luta do MST é outra. Mas eles optaram por invadir a praça porque sabem que não serão repreendidos pelo poder público aqui no Paraná'', afirmou Chiminazzo. A Secretaria de Segurança rebateu as acusações de Chiminazzo, afirmando que policiais foram enviados às praças para efetuar as desocupações, mas os sem-terra comprometeram-se a sair pacificamente às 17 horas.
Em 2003 e 2004, os sem-terra já haviam invadido praças de pedágio em protesto contra o preço das tarifas, durante o auge da batalha judicial que o governador Roberto Requião trava para reduzir o preço das tarifas no Estado. ''O que causa estranhamento é que esse tipo de episódio acontece justamente no Paraná, onde as concessionárias praticam a tarifa por quilômetro mais barata do país. Em todos os outros locais os governos entendem que as concessionárias são parceiras e agentes do desenvolvimento econômico e social'', apontou Chiminazzo.
O episódio mais recente na guerra entre o governo e concessionárias foi a instauração de um inquérito administrativo para apurar se as empresas cometem crime contra a ordem econômica em virtude do preço das tarifas. Além disso, o governo anunciou ontem que pretende tomar novas medidas para restaurar o equilíbrio financeiro dos contratos. ''O que o governo parece não entender é que o preço das tarifas foi definido ainda na fase de licitações para as concessões e é reajustado segundo uma fórmula. Vamos esperar o anúncio das novas medidas e exercer nosso direito de defesa'', afirmou Chiminazzo.


