Os integrantes do MST voltaram ontem à porteira da Fazenda Córrego da Ponte. Eles estavam em Serra Bonita, a 16 quilômetros da sede da propriedade. Após quase três horas de caminhada, cerca de 500 sem-terra chegaram às 12h25 em frente à fazenda. Barracas foram montadas e o coordenador do Movimento, Lucídio Ravanello, informou ter comida suficiente para permanecer dez dias no local.
Os manifestantes encontraram na entrada da fazenda quatro policiais federais e três soldados do Exército, além do gerente da Fazenda Vander Gontijo. Os integrantes do MST acabaram protagonizando momentos de forte tensão na chegada. Ao desconfiar de que um cinegrafista que estava entre os manifestantes era, na verdade, funcionário da Presidência da República, um dos coordenadores pediram que ele se identificasse. Surpreendido, o cinegrafista decidiu fugir sendo então imobilizado e agredido pelos integrantes do movimento que ameaçavam linchá-lo. A agressão só não foi maior por causa da intervenção da direção do movimento e da ação dos policiais federais que estavam na parte frontal da fazenda.
Os policiais acabaram levando o cinegrafista para dentro da Fazenda. Nos destroços da filmadora era possível identificar a etiqueta de patrimônio da Presidência. ‘‘Não temos nada a esconder mas não admitimos este tipo de comportamento’’, disse um dos líderes do movimento, Valmir de Oliveira. Para ele, as imagens seriam usadas posteriormente para incriminar integrantes do movimento.
O porta-voz da Presidência da República, George LamaziSre, afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso desconhecia o incidente entre policiais que guardam a fazenda de seus filhos e manifestantes do MST.
A assessoria do Gabinete da Segurança Institucional afirmou que divulgaria uma nota com dados sobre o incidente, incluindo o nome do segurança que filmava os sem-terra. Mas até o fechamento desta edição, a nota não havia sido divulgada.
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), recusou-se ontem a comentar a volta de integrantes do MST à porteira da fazenda de FHC.
Anteontem, o Exército começou a deixar a propriedade. Seis caminhões se retiraram da fazenda levando soldados, às 10h50. O governo não confirmou oficialmente a retirada. A saída de tropas federais vinha sendo condicionada pelo general Alberto Cardoso (Segurança Institucional) à presença da PM mineira no local.
O MST promete iniciar hoje jejum nacional, em protesto contra o governo por não ter reaberto as negociações com o movimento. A informação é do dirigente nacional do MST, Gilberto Portes. Segundo ele, o MST está mobilizado em 14 Estados e todos os integrantes da mobilização vão participar do jejum, que não tem data para acabar. ‘‘Se o governo fizer uma sinalização ainda hoje ou amanhã, nós vamos embora para casa. Mas nós não vamos para casa sem um acordo.’’

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